Rebelião deixa seis mortos no Maranhão

Entre as vítimas, está José Agostinho Bispo Pereira que foi condenado a 63 anos de prisão por abusar de filhas durante 16 anos

Wilson Lima, iG Maranhão |

Seis pessoas morreram na noite desta segunda e madrugada desta terça, sendo que quatro delas foram decapitadas durante uma rebelião ocorrida na delegacia de Pinheiro, cidade distante 343 quilômetros de São Luís. A rebelião durou aproximadamente 15 horas. Entre os decapitados estava José Agostinho Bispo, condenado a 63 anos de prisão acusado de abusar e de manter em cárcere privado uma filha durante 16 anos.

Conforme informações da Secretaria de Segurança do Maranhão (SSP-MA), o motim foi iniciado às 22h30 (horário local) de segunda, se prolongou durante a madrugada e terminou por volta das 13h30 (horário local). Essa foi a rebelião mais violenta da cidade de Pinheiro. Em novembro de 2010, uma rebelião em Pedrinhas terminou com a morte de 18 presos. Esta foi a mais violenta da história do Estado.

Os presos se rebelaram em Pinheiro após uma tentativa frustrada de fuga ocorrida. Os presos estavam com uma grande quantidade de pedaços de ferragens da própria cela. Existiam até mesmo vergalhões de 1,5 metros dentro da carceragem. Eles queriam abrir buracos nas celas para conseguir sair. No entanto, policiais da delegacia de Pinheiro descobriam a grande quantidade de armas dentro das carceragens e abortaram o plano dos detentos.

Uma hora após o início do motim, os presos começaram a executar os detentos que cumpriam pena por crime de estupro, abuso sexual ou pedofilia. A primeira vítima foi José Agostinho Bispo. Antes da meia noite, três presos foram decapitados. Todos eles tiveram suas cabeças colocadas ao lado das celas. Durante a madrugada, ocorreram mais três mortes.

Superlotação

Durante a rebelião, os presos reivindicaram a redução do número de presos nas celas da delegacia de Pinheiro. No local, existem 97 presos para um local com capacidade para 38.

O final da rebelião ocorreu depois que os presos conseguiram a transferência de 38 detentos para outras delegacias. Os demais presos ficarão em Pinheiro e não sofrerão retaliações, conforme acordo firmado com os negociadores. O processo de negociação durou aproximadamente cinco horas.

No motim, os detentos ainda reivindicaram a exoneração da delegada regional Laura Barbosa, a entrega de comida local e a instalação de televisores, entre outras regalias. O pedido de exoneração da delegada Laura foi negado pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão. Os demais serão estudados em um segundo momento, de acordo com os negociadores.

A delegacia de Pinheiro ficou parcialmente destruída mas, ainda assim , os presos do município continuarão cumprindo pena no local. “Tudo terminou de forma tranqüila, apesar das mortes. O sistema carcerário em todo o Brasil é caótico e no Maranhão não poderia ser diferente”, disse o comandante geral da Polícia Militar do Maranhão, coronel Franklin Pacheco.

Aproximadamente 100 homens da Secretaria de Segurança Pública foram deslocados para acompanhar as negociações. Entre os quais estavam o secretário-adjunto de Inteligência da SSP, Laércio Costa, o comandante geral da PM, coronel Franklin Pacheco, e o superintendente de Polícia Civil do Interior, Jair Lima de Paiva. Também acompanharam as negociações, um juiz e dois promotores de Justiça da comarca de Pinheiro, além de um pastor que foi solicitado pelos presos.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública ressaltou que “está em trâmite processual a construção de uma unidade prisional a ser instalada em Pinheiro, fruto de um convênio entre o governo do Maranhão e o Departamento Penitenciário (Depen) do Ministério da Justiça (MJ), que deve ter suas obras iniciadas nos próximos meses. O novo presídio terá capacidade para 396 detentos, e atenderá toda a região da Baixada Maranhense”.

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