Quilombolas invadem sede do Incra no Maranhão

Eles pedem mais rapidez na regularização de terras no Estado e proteção contra ameaças de morte

Wilson Lima, iG Maranhão |

Lideranças de aproximadamente 30 comunidades quilombolas voltaram a invadir a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Maranhão. Eles estão acampados no terraço e no auditório do órgão.

Os quilombolas reivindicam celeridade no processo de regularização fundiária e também mais proteção às comunidades - que são formadas por herdeiros de escravos - e também aos indígenas no Maranhão. Segundo os quilombolas, somente no último final de semana indios e quilombolas foram ameaçados duas vezes.

No sábado, 27 de agosto, a residência do líder quilombola da cidade de Pirapemas, distante 133 quilômetros de São Luís, Zé da Cruz, foi alvejada com vários tiros. A suspeita é que fazendeiros da região tenham sido responsáveis pelos ataques. O líder quilombola já vinha sendo ameaçado por fazendeiros da região.

No domingo (28), índios Awá Guajá, da cidade de Bom Jardim, a 220 quilômetros de São Luís, foram ameaçados de morte por pistoleiros da região. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), as ameaças ocorreram após uma força-tarefa do governo federal ter intensificado a fiscalização sobre as madeireiras instaladas na região.

Segundo informações da CPT do Maranhão, cinco líderes quilombolas foram executados no Estado nos últimos 12 meses e pelo menos dez estão marcados para morrer. Em junho, os quilombolas já haviam invadido a sede do Incra para reivindicar celeridade no processo de regularização fundiária no Estado. Existem, no Estado, cerca de 260 processos de regularização parados no Incra apenas relacionados às comunidades quilombolas.

Durante a primeira manifestação, os quilombolas conseguiram uma audiência com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. Na audiência, a ministra prometeu intensificar a segurança dos líderes quilombolas e o Incra assegurou a cessão de 34 títulos de propriedade de terra para as comunidades históricas. Os líderes dos movimentos afirmam que as promessas não foram cumpridas.

A direção do Incra no Maranhão informou que o processo de regularização fundiária leva tempo e que, por problemas burocráticos, a cessão de novas terras ainda não foi efetivada.

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