Policiais civis entram em greve no Maranhão

Com a paralisação, apenas crimes sexuais, contra a vida e contra idosos estão sendo registrados em boletins de ocorrência

Wilson Lima, iG Maranhão |

Os policiais civis do Maranhão iniciaram nesta terça-feira paralisação por tempo indeterminado em todo o Estado. Eles reivindicam aumento salarial de 20% e reajuste nas gratificações da ordem de 15%. Com a paralisação, apenas crimes sexuais, contra a vida e contra idosos estão sendo registrados.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Maranhão (Sinpol), Amon Jessen, aproximadamente 60% dos policiais aderiram à paralisação. Eles afirmam que não recebem aumento salarial desde 2009 e que há três anos e seis meses benefícios como vale-alimentação, gratificação por local de difícil provimento (para os policiais que trabalham no interior), por insalubridade e periculosidade estão congelados.

Hoje, o Estado tem aproximadamente 1.100 agentes e o salário inicial de um policial civil é de R$ 2.090, segundo o Sinpol. O valor do vale-alimentação, nos dados do sindicato, é de R$ 280. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) fala em um piso salarial de R$ 2.195,78 e nega que as gratificações não tenham sofrido reajuste nesse período.

O governo do Estado afirma que os policiais maranhenses receberam aumentos salariais de 79% nos últimos cinco anos, contra um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado da ordem de 33%. Esse reajuste dado aos policias, segundo o governo Roseana Sarney (PMDB), foi superior ao dado a outros grupos de servidores públicos como auditores fiscais, atividades de defesa agropecuária e de atividades artísticas e culturais. “É desumano falar hoje que o policial maranhense ganha bem”, rebate o investigador João Victor Utta.

Desde a semana passada, o governo do Estado e policiais tentam entrar em um acordo. Na última proposta feita pelo governo do Maranhão, foi oferecido um reajuste de 5% das horas extras, mais incorporação do vale alimentação para motoristas e para operadores de rádio da polícia civil do Maranhão. “A proposta está longe do que reivindicamos”, avaliou Jessen. O secretário de Segurança do Maranhão, Aluísio Mendes, afirmou que o governo está aberto a negociações mas que os pedidos dos policiais serão atendidos dentro da realidade financeira do Maranhão.


Os primeiros problemas

Nas delegacias, o primeiro dia da greve dos policiais civis não trouxe tumultos. Muitas pessoas desistiram de ir às delegacias registrar queixas justamente por causa da mobilização dos policiais. No Plantão Central da Beira Mar, o principal de São Luís, apenas duas pessoas tentaram registrar algum boletim de ocorrência durante toda a manhã, afirmam os policiais.

Com a paralisação, apenas 30% dos policias civis estão trabalhando no Estado. Além de não registrar queixas relacionadas a roubos, furtos, perda de documentos, entre outros casos considerados leves, as investigações policiais também foram interrompidas.

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