Polícia investiga plano para assassinar juíza no Maranhão

A suspeita é a de que integrantes do próprio Judiciário encomendaram o crime; investigação está sob segredo de Justiça

Wilson Lima, iG Maranhão |

Uma analista de sistemas foi preso pela Polícia Civil do Maranhão sob suspeita de participação em um plano para assassinar a juíza do 6º Juizado Especial Cível de São Luís, juíza Lucimary Castelo Branco Campos dos Santos.

Outras duas pessoas, também estavam marcadas para morrer conforme as investigações da Polícia Civil. A prisão do analista Paulo Araújo Ferreira foi decretada pelo juiz Douglas de Melo Martins.

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Em depoimento prestado à Polícia, o analista de sistemas revelou que recebeu uma proposta de R$ 10 mil para executar a morte da juíza. Ele receberia mais R$ 35 mil pela execução das outras duas pessoas ligadas ao Judiciário do Maranhão. A oferta, segundo a investigação, partiu da presidente da Associação dos Notários e Registrados do Maranhão (Anoreg), Alice Ribeiro Brito e do tabelião Luiz de França Belchior Silva Filho que hoje responde pelo cartório do 3º Ofício de Notas da Capital.

A investigação transcorre em segredo de Justiça mas alguns documentos sobre a articulação do plano foram divulgados no blog do jornalista Itevaldo Júnior, de São Luís. Conforme o depoimento do analista de sistemas, eles planejavam colocar um dispositivo eletrônico explosivo que seria colocado no tanque de combustível do carro da juíza. Esse explosivo seria acionado por meio de aparelho celular.

Ainda pelos depoimentos de Ferreira, a presidente da Anoreg pretendia executar a juíza em função de uma disputa pela exploração de cartórios na região metropolitana da capital maranhense. Brito queria assumir o cartório do 1° Ofício de São José de Ribamar.

Em nota oficial, a Corregedoria Geral de Justiça (CGJ) do Maranhão afirmou que já havia sido informada deste plano por policiais da Superintendência de Investigações Criminais da Polícia Civil (Seic) do Maranhão. A juíza Lucimary dos Santos está de férias e não foi encontrada para comentar o assunto.

Tanto a presidente da Anoreg, quanto o tabelião Luíz Filho negaram envolvimento no caso em depoimento à Polícia e classificaram o plano como “obra da imaginação” do analista de sistemas.

Esse plano de execução foi descoberto cinco meses após o assassinato da juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo (RJ) e três dias após uma bomba caseira explodir no Fórum de Rio Claro, a 173 quilômetros de São Paulo. Dois funcionários ficaram feridos. A bomba era destinada à diretora do Fórum, Cynthia Andrauss Carreta.

Repúdio

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)  condenou o atentado ao Fórum de Rio Claro e lembrou mais dois casos de ataques ao Judiciário brasileiro neste ano.

Em nota, a AMB diz que os atos se repetem no Brasil pela "falta de segurança" e que vão "proteger todos os juízes ameaçados".

"Tais atos configuram autêntico desafio à cidadania e às instituições democráticas. Defendemos que sejam adotadas medidas vigorosas pelas forças de Segurança e pelos Poderes Legislativo e Judiciário, como a criação de um serviço de polícia própria para o ambiente forense, treinada especificamente para esse tipo de demanda.

Temos que dar um basta a essa onda de intimidação e violência que teima em desafiar as forças do bem, da lei e da paz social. Não nos curvaremos à incompreensão e à intimidação: onde houver um Juiz ameaçado, lá estaremos também para protegê-lo e reclamar por segurança", diz o texto.

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