Índios libertam reféns no Maranhão

Entre os sequestrados estava o prefeito de Alto Alegre do Pindaré, Atemir Botelho (PT), e seis funcionários da Vale

iG São Paulo |

A empresa Vale informou nesta quinta-feira que os índios Guajajara na cidade de Alto Alegre do Pindaré, distante 220 quilômetros de São Luís, liberaram os reféns mantidos desde a tarde de quarta-feira. Os indígenas protestam contra o sucateamento de um posto de saúde da aldeia Maçaranduba, na Terra Indígena Caru. Entre os sequestrados estava o prefeito de Alto Alegre do Pindaré, Atemir Botelho (PT), e seis funcionários da mineradora.

A Vale informou ainda que está acionando todos os meios legais para responsabilizar civil e criminalmente os autores dos delitos.

No início da tarde desta quarta-feira, seis funcionários da Vale foram sequestrados pelos índios quando eles interditaram a Estrada de Ferro Carajás (EFC). Depois de três horas, a ferrovia foi liberada, mas os funcionários ainda ficaram em poder dos índios. Na tarde de hoje, três funcionários da companhia e o prefeito de Alto Alegre do Pindaré foram até a aldeia para tentar negociar a liberação dos demais reféns e achar uma solução para o impasse. Sem acordo, eles também foram sequestrados pelos índios.

Segundo a vereadora de Alto Alegre do Pindaré, Carmelita Laura (PMDB), os índios querem, principalmente, um novo posto médico porque o atual sucateado. Além disso, faltam remédios e esparadrapos. A escola indígena, segundo a vereadora, facilitaria a educação na aldeia, uma vez que apenas um colégio presta esse tipo de assistência aos Guajajara. A ponte tem como função facilitar o acesso dos índios à cidade de Alto Alegre do Pindaré. “Para chegar à cidade, os índios precisam atravessar o rio em um barco”, descreve a vereadora.

Em nota, a Vale disse que estava “preocupada com a integridade física de seus empregados” e que “nenhuma das reivindicações dos indígenas é direcionada à empresa”. Ainda segundo a nota da mineradora, existe risco de uma nova invasão dos índios. “A Vale informa que está acionando todos os meios legais para responsabilizar civil e criminalmente os invasores. A Vale repudia quaisquer manifestações violentas, que coloquem em risco seus empregados, suas operações e que ferem o estado democrático de direito”, diz a empresa.

Essa não é a primeira vez que índios Guajajara mantém funcionários da empresa como refém por um período superior a 24 horas. Em 2006, cinco funcionários da empresa também foram sequestrados pelos índios como forma de protesto contra a falta de assistência indígena na aldeia Maçaranduba. Na ocasião, a EFC ficou interditada por um período de 46 horas. O iG tentou falar com a Funai, mas o presidente do órgão, José Leite Piancó Neto, não foi encontrado.Os indígenas fizeram os empregados reféns durante a invasão da Estrada de Ferro Carajás, em Alto Alegre do Pindaré. A Vale reitera que nenhuma das reivindicações dos indígenas é direcionada à empresa. Ao contrário, a Vale está em dia com todas as cláusulas do acordo de cooperação firmado com a Funai em 2007 para apoio àquela comunidade.

* com informações de Wilson Lima, iG Maranhão

    Leia tudo sobre: valeíndiosmaranhão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG