Índios fazem funcionários da Vale e negociadores reféns no MA

Prefeito de Alto Alegre do Pindaré, Atemir Botelho, está entre os reféns; protesto começou nesta quarta-feira

Wilson Lima, iG Maranhão |

Aumentou para dez o número de pessoas que foram feitas reféns de índios Guajajara na cidade de Alto Alegre do Pindaré, distante 220 quilômetros de São Luís. Os indígenas protestam contra o sucateamento de um posto de saúde da aldeia Maçaranduba, na Terra Indígena Caru. Entre os sequestrados está o prefeito de Alto Alegre do Pindaré, Atemir Botelho (PT).

No início da tarde desta quarta-feira, seis funcionários da Vale foram sequestrados pelos índios quando eles interditaram a Estrada de Ferro Carajás (EFC). Depois de três horas, a ferrovia foi liberada, mas os funcionários ainda ficaram em poder dos índios. Na tarde de hoje, três funcionários da companhia e o prefeito de Alto Alegre do Pindaré foram até a aldeia para tentar negociar a liberação dos demais reféns e achar uma solução para o impasse. Sem acordo, eles também foram sequestrados pelos índios.

Existia a informação de que um representante da Funai também estava negociando com os índios, mas ele não foi retido. O sequestro de mais três funcionários Vale foi confirmada pela companhia no início da noite desta quinta-feira. Seis funcionários da Vale estão sendo mantidos reféns há mais de 30 horas.

Conforme informações de fontes ligados à cidade de Alto Alegre do Pindaré, o clima ficou tenso nas últimas horas. Existe a possibilidade de novas interdições da Estrada de Ferro Carajás (EFC). A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP), que estava fora das negociações, vai ajudar a resolver o impasse na região. Além de um posto médico, os índios querem a construção de uma nova escola e de uma ponte no povoado.

Segundo a vereadora de Alto Alegre do Pindaré, Carmelita Laura (PMDB), os índios querem, principalmente, um novo posto médico porque o atual sucateado. Além disso, faltam remédios e esparadrapos. A escola indígena, segundo a vereadora, facilitaria a educação na aldeia, uma vez que apenas um colégio presta esse tipo de assistência aos Guajajara. A ponte tem como função facilitar o acesso dos índios à cidade de Alto Alegre do Pindaré. “Para chegar à cidade, os índios precisam atravessar o rio em um barco”, descreve a vereadora.

Em nota, a Vale disse que estava “preocupada com a integridade física de seus empregados” e que “nenhuma das reivindicações dos indígenas é direcionada à empresa”. Ainda segundo a nota da mineradora, existe risco de uma nova invasão dos índios. “A Vale informa que está acionando todos os meios legais para responsabilizar civil e criminalmente os invasores. A Vale repudia quaisquer manifestações violentas, que coloquem em risco seus empregados, suas operações e que ferem o estado democrático de direito”, diz a empresa.

Essa não é a primeira vez que índios Guajajara mantém funcionários da empresa como refém por um período superior a 24 horas. Em 2006, cinco funcionários da empresa também foram sequestrados pelos índios como forma de protesto contra a falta de assistência indígena na aldeia Maçaranduba. Na ocasião, a EFC ficou interditada por um período de 46 horas. O iG tentou falar com a Funai, mas o presidente do órgão, José Leite Piancó Neto, não foi encontrado.

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