Greve deixa pelo menos 500 mil alunos sem aulas no Maranhão

Implantação do plano de carreira para professores e do piso nacional da categoria são as principais reivindicações da paralisação

Wilson Lima, iG Maranhão |

Os professores da rede pública estadual de ensino do Maranhão iniciaram nesta terça-feira greve por tempo indeterminado. A pauta de reivindicação tem 22 itens mas os principais são a implantação do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) e do piso nacional da categoria de R$ 1.187,97. A Secretaria Estadual de Educação do Maranhão (Seduc) afirma que “o governo foi até o limite do que é legal e do que é possível honrar” nas negociações com os docentes.

A Seduc informa que 500 mil alunos foram atingidos com a paralisação; o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma) fala em 600 mil. Nesta terça pela manhã, os professores realizaram uma passeata no Centro de São Luís cobrando a implementação do piso e gritando palavras de ordem contra a gestão da governadora Roseana Sarney (PMDB). Segundo a direção do Sinproesemma, já existe um consenso entre governo e professores no modelo do PCCS. A divergência agora está relacionada a quando esse plano será implantado: os professores querem que ele passe a valer em 2011; o governo pretende instituí-lo no final do ano e de forma gradual até 2015.

“Tentamos em várias frentes negociar com o governo, mas não conseguimos”, declarou o presidente do Sinproesemma, Júlio Pinheiro. O PCCS determina aspectos com forma de remuneração, gratificação, promoção, eleição diretas para diretores de escolas, entre outros.

O governo do Estado, no final da semana passado, fez uma proposta aos professores de envio do PCCS à Assembléia Legislativa em outubro e de aumento salarial da ordem de 10% para a categoria. Hoje, o professor maranhense em início de carreira recebe R$ 854. Destes, metade corresponde ao salário base e o restante a uma Gratificação de Atividade de Magistério (GAT).

Essa paralisação ocorre no momento em que os alunos da rede pública estadual de ensino conseguiram, pela primeira vez em oito anos, iniciar o ano letivo sem atrasos. Essa “vitória” tem sido alvo de propaganda do governo do Estado nas últimas semanas. As aulas começaram na segunda-feira da semana passada e, pela, programação inicial da Seduc, o ano letivo de 2011 deve terminar em 23 de dezembro.

Desde 2003, os alunos da rede pública de ensino do Maranhão vem sendo sistematicamente prejudicados com longas greves de professores. Na última, ocorrida em 2007, as atividades na rede pública estadual de ensino foram paralisadas por quase 90 dias.

Em mensagem oficial aos professores divulgada nesta terça-feira, o governo do Estado afirma que era “compromisso” a implantação do Estatuto do Educador “contemplando, inclusive, revisão salarial da categoria”. “Qualquer concessão a mais seria um ato de irresponsabilidade”, diz o governo. “Considerando que neste ano vai ocorrer o acréscimo de remuneração dos professores, por conta do estatuto, e que, pela primeira vez, depois de oito anos, o calendário escolar deverá ser cumprido dentro do período letivo, o governo entende que os mais de 500 mil alunos maranhenses não podem ser prejudicados com a paralisação das atividades nas escolas, por isso espera pela sensibilidade da categoria”, finaliza o governo.

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