Em cenário de abandono, estrangeiros reformam casarões de São Luís

Franceses e italianos revitalizam centro histórico da capital do Maranhão, que tem vários edifícios históricos ameaçados

Wilson Lima, iG Maranhão |

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Valery Pereux, padeiro francês que reformou um casarão em São Luís: "Acho melhor morar aqui do que na França. As pessoas são muito amáveis"
A capital do Maranhão, São Luís, tem um histórico de abandono de casarões em seu centro histórico. Vários deles estão caindo aos pedaços, inclusive o do presidente do Senado, José Sarney . Hoje, existem pelo menos 40 em risco de desabamento. Mas muitos estrangeiros que chegam e se encantam por São Luís enxergam, em um prédio abandonado, oportunidade de lucro, bons negócios e preservação da história e da arquitetura da cidade.

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Os números são imprecisos, mas estima-se que somente no centro histórico da capital maranhense pelo menos 20 estrangeiros reformaram casarões com algum tipo de risco de desabamento e os transformaram em lanchonetes, hotéis, restaurantes e bares.

Entre eles, o francês Valery Pereux, de 40 anos. Ele visitou São Luís em 2000, em uma viagem de férias, e se apaixonou pela cidade. Ao retornar à França, fez as contas, juntou suas economias e resolveu montar uma padaria na rua do Giz, uma da principais vias do centro histórico. 

“Não tive muito problema para me adaptar ao clima. Sempre tive uma vida simples. Foi bom vir pra cá, adoro a simplicidade”, diz o francês, tímido e com um sotaque forte.

O casarão de Pereux estava em péssimo estado de conservação. Após seis meses de reforma, algumas adequações, uma decoração limpa, hoje a padaria Valery é uma das principais da cidade. As especialidades, lógico, são o pão francês, a baguete e o croissant. “Acho melhor morar aqui do que na França. As pessoas são muito amáveis”, diz Pereux. A padaria tem cinco funcionários e todos eles tratam o francês como um pai.

Na mesma rua onde Pereux montou uma padaria, um casal de italianos reformou dois casarões e instalou no local uma pousada e uma pizzaria -  uma das mais conhecidas da capital maranhense. Mais acima, dinamarqueses também montaram um restaurante. Em uma rua ao lado, outro francês montou um bar.

Os moradores do centro histórico parecem não se incomodar com a presença dos estrangeiros. O guia turístico Mariano Silva resume uma sensação espalhada pela cidade: “Muitos aqui que têm casarões, inclusive gente com muito dinheiro, deixam os imóveis caírem. Melhor deixar com os estrangeiros que eles reformam e fazem algo de útil”. 

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Casarão do governo do Maranhão abandonado em São Luís

Analistas empresariais de São Luís apontam que muitos estrangeiros investem na compra de casarões na capital maranhense por um motivo simples: economia. Um imóvel histórico com as mesmas características na Europa custa pelo menos dez vezes mais. Um casarão em um estado mediano em São Luís vale em torno de R$ 200 mil a R$ 300 mil. Pelas informações da Polícia Federal, existem pelo menos dez pedidos por semana de estrangeiros querendo visto de permanência fixa em São Luís.

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