Comando investiga 'surto' de atestados médicos durante greve da PM

Militares apresentaram 150 atestados apenas na terça-feira; paralisação completa 1 mês e governo abre canal de negociação

Wilson Lima, iG Maranhão |

O Comando Geral da Polícia Militar do Maranhão abriu procedimento investigatório contra a apresentação de centenas de atestados médicos por agentes militares que não se apresentaram durante a paralisação da PM no Estado. A greve completa uma semana nesta quarta-feira e somente agora há um canal de negociação com o poder executivo.

Segundo informações do Comando Geral, apenas na terça-feira (22), foram apresentados 150 atestados médicos justificando falta de militares, quando a polícia apresenta normalmente seis documentos do tipo diariamente. O caso também chamou a atenção da Secretaria Estadual de Saúde (SES) que já acionou o Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM) para também apurar a veracidade dos atestados.

Wilson Lima/iG
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A suspeita da PM é que esses documentos tenham sido apresentados por policiais que integram a mobilização e tenham sido expedidos por médicos que são amigos de policiais militares. A greve foi considerada ilegal na semana passada pelo Tribunal de Justiça e na segunda-feira, o comandante-geral, o coronel Franklin Pacheco, determinou a abertura de processo de deserção contra os militares integrantes do movimento.

Um dos integrantes do comando de greve no Maranhão, o cabo Roberto Campos Filho, afirmou que não há qualquer recomendação oficial por parte do movimento de apresentação de atestados médicos. “Essa é uma atitude individual de cada policial mas não acredito em irregularidades com esses atestados. Além disso, o comando de greve recomendou que os policiais faltassem ao trabalho. Essa é a nossa recomendação”, disse Filho.

Negociações

Somente na terça-feira, o governo do Estado abriu um canal de negociação com os grevistas. Entre os pontos já discutidos, representantes do executivo já sinalizaram com a concessão da anistia aos policiais integrantes da greve e com um aumento de R$ 200. Os policiais, que recebem hoje aproximadamente R$ 2 mil, querem algo em torno de R$ 3 mil.

“Eu sugeri a possibilidade de que o soldado passasse a receber R$2,2 mil. Esse aumento significa para a nossa folha, cerca de R$ 60 milhões ano. Conversei com a governadora, ela disse que a situação (do Estado) era difícil, mas aceitou essa proposta”, afirmou nesta quarta-feira o secretário de Projetos Especiais do governo do Estado, João Alberto de Sousa. “Vamos acreditar nessas propostas apenas quando estiverem no papel”, rebateu Filho.

A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB) afirmou na terça, no seu primeiro pronunciamento oficial durante a paralisação dos PM’s, que está “fazendo um esforço muito grande para melhorar o salário de todos os servidores estaduais”. “Quem me conhece sabe que não sou insensível com a reivindicação do funcionalismo civil e militar”, disse.

Enquanto não há um acordo entre militares e também policiais civis que aderiram à paralisação , o policiamento nas ruas ficou a cargo das tropas federais. Nesta terça-feira, o exército mandou mais mil homens para o Maranhão, a maioria do Estado de Pernambuco. Também foram deslocados para o Estado, dois blindados Urutu e dois helicópteros Pantera, utilizados em missões especiais.

Nas ruas, o sentimento é de insegurança . Pessoas evitam sair de casa e comércios fecham as portas mais cedo. O comando de greve afirma que apenas 15% dos chamados ao 190 estão sendo atendidos; o comando do exército no Maranhão, fala em queda do número de ocorrências.

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