Comando da PM abre processo de deserção contra grevistas no MA

O documento, classificado como uma convocação oficial, criou um clima de tensão ainda maior entre grevistas e governo

Wilson Lima, iG Maranhão |

O comando da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Maranhão abriu processo de deserção contra os policiais militares e bombeiros que participam da greve conjunta das duas categorias, iniciada na última quarta-feira à noite. Os coronéis também informaram que instauraram procedimento administrativo disciplinar contra militares grevistas concursados nos anos de 2007 e 2010 e alunos do curso de Formação de Oficiais integrantes do movimento.

Wilson Lima/iG
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A determinação foi divulgada nesta segunda-feira em nota oficial assinada por 23 coronéis, após reunião de aproximadamente duas horas realizada na manhã desta segunda-feira, no Comando Geral da Polícia Militar do Maranhão. O documento, classificado como uma convocação oficial, criou um clima de tensão ainda maior entre grevistas e governo.

O comandante Geral da Polícia Militar, coronel Franklin Pacheco, afirmou por meio da secretaria de Comunicação do Governo do Maranhão, que “os coronéis se uniram para alertar os militares em greve sobre as conseqüências de uma paralisação para a instituição”.

“Estamos buscando contornar essa situação de paralisação, pois o nosso dever é garantir a segurança, a ordem da sociedade. Essa nota é apenas um alerta em busca da conscientização das categorias”, disse.

Os coronéis alertaram também aos policiais que a decisão judicial que decretou a ilegalidade da greve está sendo cumprida. Na quinta-feira, o desembargador Stélio Muniz determinou o desconto de R$ 200 por dia de greve para cada policial ou bombeiro integrante do movimento.

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O advogado do movimento, Willians Dourado, afirmou que a nota tem duas interpretações. “Ela serviu de alerta, ou como ameaça”. Apesar disso, ele informou que os militares e membros do Corpo de Bombeiros não pretendem encerrar o movimento.

Agora, com a abertura do processo de deserção e de procedimentos administrativos, os grevistas também reivindicam a anistia destas sanções a todos os militares integrantes da mobilização. Os manifestantes reivindicavam antes 30% de aumento salarial, entre outros benefícios. O Executivo fala que somente irá negociar um acordo após o término da greve dos policiais.

INTERDIÇÃO
Nesta segunda-feira, os policiais e homens do Corpo de Bombeiros do Maranhão interditaram a BR-010, conhecida como Belém-Brasília, na cidade de Imperatriz, a cerca de 600 quilômetros de São Luís. Essa foi a segunda vez em menos de uma semana que os manifestantes fizeram esse tipo de manifestação.

Em São Luís, os grevistas interditaram a avenida Jerônimo de Albuquerque, a mais importante da cidade, por cerca de 20 minutos. O bloqueio da via foi uma resposta à uma possível invasão do exército na sede da Assembleia Legislativa, ocupada como forma de protesto deste quarta-feira pela noite.

Após a polícia militar e bombeiros, a Polícia Civil também deve entrar em greve a partir de quinta-feira. A definição ocorre em assembleia da categoria que já está sendo realizada. Os policiais civis querem o cumprimento de acordo de melhorias no Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) feito com o governo do Estado no início do ano.

A paralisação de policiais militares, bombeiros despertou a revolta de outros movimentos sociais. Na internet, está sendo marcada uma manifestação para essa terça-feira, às 15h (16h horário de Brasília) contra o governo Roseana Sarney (PMDB).

A passeata está marcada para acontecer em frente à Assembleia Legislativa do Maranhão e foi classificada como “A Primavera Maranhense” em alusão à “Primavera Árabe”, conjunto de manifestações realizadas com o objetivo de questionar regimes autoritários no Oriente Médio.

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