Com fraude, homem troca casebre por casa milionária no Maranhão

Operação da Polícia Federal descobriu uma quadrilha especializada em desviar recursos da previdência

Wilson Lima, iG Maranhão |

Onze pessoas foram presas nesta quinta-feira (29) pela Polícia Federal do Maranhão acusadas de integrar uma quadrilha especializada em fraudes contra a previdência. Um dos acusados pela Polícia Federal deixou uma comunidade rural no interior do Maranhão e comprou uma casa de luxo na zona nobre de São Luís por R$ 1 milhão.

As prisões foram fruto da “Operação Duas Caras”, desencadeada na capital do Estado, São Luís, nas cidades da região metropolitana São José de Ribamar e Paço do Lumiar e em Icatu, município distante 155 quilômetros da capital do Estado. Dos onze presos, quatro eram funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em São José de Ribamar e dois eram presidentes de entidades como o Sindicato de Trabalhadores Rurais e Colônias de Pescadores.

Segundo o delegado Cláudio Carvalho, titular do Departamento de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal do Maranhão, a quadrilha teria desviado aproximadamente R$ 16,5 milhões dos cofres públicos por meio de 600 aposentadorias fraudulentas. Todas as aposentadorias, pelas informações da PF, deverão ser canceladas.

Conforme as investigações da Polícia Federal, agenciadores mantinham contato com pessoas do interior do Estado oferecendo facilidades para que elas se aposentassem mesmo sem ter direito ao benefício. Os interessados então entregavam todos os seus documentos aos intermediários e, a partir daí, os agenciadores falsificavam informações como idade, endereço e exercício de atividade.

Os integrantes dos sindicatos de trabalhadores rurais e colônias de pescadores também tinha ciência da fraude, já que incluíam em seus registros nomes de trabalhadores que nunca foram agricultores ou pescadores. Os funcionários do INSS presos eram responsáveis por incluir os dados fraudulentos no sistema. Em algumas ocasiões, sem que o “aposentado” sequer tivesse ido à agência do INSS para requerer o benefício.

Após conseguir a aposentadoria, os intermediários tiravam empréstimos consignados no nome do “pensionista” ou recebiam indenizações previdenciárias como forma de pagamento pelo serviço. O valor era repartido entre os funcionários do INSS e os agenciadores. As investigações começaram em dezembro de 2009, quando a Polícia Federal detectou movimentações financeiras atípicas dos envolvidos. Mas estima-se que a quadrilha atuava desde 2004.

Além destes onze presos, existem mais três mandados de prisão temporária a serem cumpridos. A Polícia Federal também cumpriu 18 mandados de busca e apreensão de documentos. A ação envolveu 75 policiais federais e 17 técnicos deslocados pelo Ministério da Previdência Social.

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