Bebê de dois meses morre por falta de UTI no Maranhão

Família esperou durante cinco dias para conseguir uma vaga. Na segunda-feira, caso semelhante aconteceu em Mato Grosso

Wilson Lima, iG Maranhão |

Uma criança de apenas dois meses e dez dias morreu na manhã de hoje em São Luís após esperar cinco dias por uma vaga em um leito de UTI na rede pública da capital maranhense. A família do bebê tinha uma decisão judicial em mãos que garantia a internação da criança em um leito de hospital particular. A decisão da Justiça somente foi cumprida na noite desta terça-feira, mas já era tarde demais e o bebê não resistiu e morreu menos de 12 horas após ser internado. Na segunda-feira, aconteceu um caso semelhante em Mato Grosso.

Há 15 dias, Hanna Ester Aguiar foi internada no Hospital da Criança de São Luís (maior hospital em assistência infantil, de responsabilidade da prefeitura da capital) com quadro de pneumonia e insuficiência respiratória. Seu quadro foi se agravando até que, na sexta-feira passada, seus pais souberam da equipe médica que seria necessária a internação da criança em uma UTI pediátrica. No entanto, o Hospital da Criança não disponibilizava de leito de UTI.

No sábado, os pais conseguiram uma liminar na Justiça do Maranhão que obrigou a prefeitura de São Luís a pagar um leito de UTI de hospital de rede privada para atendê-la . A decisão não foi cumprida porque todos os hospitais particulares afirmavam que não tinham equipamentos para internar a criança. Na segunda-feira, os pais novamente procuraram a Justiça e conseguiram uma outra liminar. Dessa vez, os pais conseguiram um leito de UTI em um hospital particular, mas apenas na terça-feira à noite. A criança não resistiu e morreu.

Os pais estão inconformados com a situação. Hanna era o primeiro filho do casal Ediede Aguiar Duarte e Raimundo Pedro Duarte. Eles moram no bairro Bom Jesus, na periferia de São Luís. “Eles estão muito emocionados e todos estão revoltados com essa situação. É incrível como uma criança morre simplesmente porque não respeitaram seu direito à vida”, disse a tia de Hanna, Cleidiane Aguiar.

Em nota, a prefeitura de São Luís afirmou que adotou todos os procedimentos médicos em relação ao tratamento da criança de dois meses enquanto ela esteve no Hospital da Criança.

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