Após operação, Ibama desativa uma madeireira por dia no Maranhão

Operação do Ibama em Buriticupu já aplicou R$ 1,9 milhão em multas e apreendeu 3,2 mil metros cúbicos de madeira

Wilson Lima, iG Maranhão |

Desde o início da Operação Maurítia , desencadeada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Buriticupu, cidade distante 380 quilômetros de São Luís, dez madeireiras foram desativadas pelo órgão por usar madeira extraída de forma ilegal da Reserva Biológica do Gurupi e das terras indígenas Arariboia, Alto Turiaçu, Caru e Awá.

Nelson Feitosa
Toras armazenadas na Rebio de Gurupi
Ao todo, durante os primeiros dez dias de operação, o Ibama aplicou R$ 1,9 milhão em multas e apreendeu 3,2 mil metros cúbicos de madeira irregular. O volume de madeira apreendida seria suficiente para encher 160 caminhões. Ao todo, 15 madeireiras das aproximadamente 30 instaladas na cidade já foram fiscalizadas pelo Ibama. Em média, uma madeireira irregular é desativada por dia em Buriticupu.

O número de madeireiras que foram fechadas no Maranhão nestes dez dias, por exemplo, é igual à quantidade de empresas irregulares no pólo madeireiro que funcionava de forma clandestina em Nova Ipixuna (PA), onde morreu o casal José Cláudio e Maria do Espírito Santo em maio deste ano.

Além de extrair madeira de forma ilegal de reservas biológicas e indígenas, essas madeireiras são acusadas de desrespeitar embargos do Ibama em anos anteriores e funcionavam no Estado sem licenciamento ambiental.

Nelson Feitosa
Máquina apreendida após Operação Maurítia
Também já foram flagradas duas empresas que conseguiam inserir dados falsos no DOF (sistema federal que controla o comércio e transporte de produtos florestais no Estado) e usavam “laranjas” para operar seus empreendimentos de forma ilegal.

Nestes primeiros dez dias de operação, também foram flagrados 20 pontos de armazenamento de madeira nativa dentro da Reserva Biológica do Gurupi. No local, foram encontradas madeiras nativas prontas para serem comercializadas como louro, jatobá, maçaranduba, ipê e amarelão.

Até carretas tipo bi-trem eram utilizadas no transporte. Estimativas da Polícia Federal apontam que o desmatamento nas reservas indígenas e biológicas desta região chegou a 946 quilômetros quadrados, uma área maior que a cidade de Campinas (interior de São Paulo com 801 quilômetros quadrados de área).

Durante as fiscalizações, até mesmo crianças e adolescentes foram flagradas em situação de trabalho escravo, ganhando R$ 60 por mês. O número de crianças e adolescentes nessa situação, até o momento, não foi divulgado. Ao todo, 130 homens do Ibama, da Polícia Federal, Força Nacional, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Ministério do Trabalho e Sistema de Proteção da Amazônia estão na cidade participando da Operação Maurítia.

Nelson Feitosa
Estrada aberta por madeireiro na Rebio de Gurupi
Inédita

Esta é a maior operação já realizada pelo Ibama em Buriticupu. A última ação de impacto na região ocorreu em 2009, quando dez serrarias foram flagradas receptando madeira da reserva do Gurupi. À época, então presidente da Câmara de Vereadores, Josué Mansueto (PSDB), foi preso por estar com um veículo clonado e por envolvimento em crimes ambientais.

O Ministério Público Federal (MPF), desde 2006, cobra do Ibama no Maranhão a intensificação do combate à exploração de terras indígenas em Buriticupu e em cidades próximas como Bom Jesus das Selva, onde também existe um polo madeireiro.

O Ibama, até o ano passado, não vinha cumprindo a determinação da Justiça Federal alegando falta de funcionários na região. O Ministério Público Federal do Maranhão também pede na Justiça a instalação de uma base permanente do Ibama na área para intensificar a fiscalização sobre essas madeireiras.

A defesa da floresta da Reserva Biológica do Gurupi e das terras indígenas da região, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Maranhão, é um dos principais motivos de conflitos entre índios e madeireiros.

Um líder indígena foi ameaçado e pelo menos outros cinco estão marcados para morrer na região. Integrantes da Cáritas Brasileira no Maranhão também já foram ameaçados de morte por apoiar ações do Ibama no município.

A cidade é conhecida por vários conflitos desde os anos de 1980, quando foi instalado o polo madeireiro na região. Apenas entre os anos de 1980 e 1990, 56 pessoas foram assassinadas após conflitos agrários na cidade, entre os quais policiais, pistoleiros, índios e agricultores. Em uma operação realizada em 2007 também para combater o desmatamento na região, por exemplo, veículos da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram depredados por madeireiros revoltados com as multas aplicadas pelo Ibama.

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