Governo conclui retirada de não índios de Reserva Awá-Guajá, no Maranhão

Por Agência Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

Contato recente dos índios dessa etnia com a civilização causou grande impacto e os colocou sob ameaça de extinção

Agência Brasil

A Terra Indígena Awá Guajá, no Maranhão, foi totalmente desocupada por não índios, como informou esta semana um comunicado da Fundação Nacional do Índio (Funai). O governo brasileiro vinha promovendo uma operação de desintrusão na reserva desde janeiro deste ano, em cumprimento a uma decisão judicial. Na terça-feira (15), um juiz federal e um procurador federal foram até a Aldeia Juriti entregar aos Awá-Guajá o auto de desintrusão, que atesta a total retirada dos não índios da terra.

Fevereiro: Começa retirada de não índios de terra indígena no Maranhão

Agência Brasil/ Arquivo
Índios awá-guajá em debate na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia durante o processo de demarcação das terras indígenas

Os índios da etinia Awá-Guajá tiveram contato recente com a civilização e muitos vivem em total isolamento. Segundo a Funai, os que tiveram contato somam pouco mais de 400 pessoas e a etnia vive em outras três terras indígenas no Maranhão, na região da Reserva Florestal Gurupi.

Eles falam tupi-guarani e vinham sofrendo fortemente o impacto do contato com não índios, o que os colocou sob ameaça de extinção. A situação chamou a atenção de organizações internacionais que vinham promovendo campanhas mundo a fora alertando para episódios de violência na região e pedindo a retirada dos não índios da área.

A reserva tem cerca de 100 mil hectares e vinha sendo ocupada por pequenos agricultores, posseiros e madeireiros. Eles receberam notificação para deixar a área e tiveram prazo de 40 dias antes que as casas, estradas e cercas fossem destruídas. A estimativa é que 30% do território já foi desmatado, onde os agentes do governo federal observaram a presença de grandes propriedades. Uma vistoria realizada por representantes de diversos órgãos que participaram da operação atestou que a desintrusão estava completa.

A força-tarefa interministerial que coordenou a operação permanecerá na região até quarta-feira (30). Eles contam com o apoio da Força Nacional de Segurança e das Forças Armadas para evitar que os não índios retornem para a reserva. A Funai também possui uma estrutura de proteção montada numa base de operações ao norte, onde existia o povoado de Vitória da Conquista. Lá existem cancelas e sinalização sobre o território

Leia tudo sobre: reserva indígenamaranhãoawá guajá

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas