Criança queimada em ataque a ônibus no Maranhão está em estado gravíssimo

Por iG São Paulo |

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Criança de 6 anos está internada com 90% do corpo queimado. Criminosos teriam ateado fogo ao coletivo mesmo sabendo que haviam passageiros em seu interior

O estado de saúde de uma das crianças feridas durante ataque de criminosos em São Luís é gravíssimo, segundo o Hospital Municipal Clementino de Moura. Ela tem seis anos, está com 90% do corpo queimado e segue entubada na Unidade de Terapia Intensiva. Outras quatro pessoas estão feridas. Três em estado grave, sendo uma também criança.

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Agência Brasil
Ônibus incendiado por criminosos nesta sexta-feira, em São Luís

A ação dos criminosos ocorreu na noite desta sexta-feira (3). Eles jogaram gasolina e atearam fogo aos coletivos enquanto os passageiros ainda estavam nos veículos.

O ataque: Criminosos incendeiam ônibus com passageiros e ferem quatro no Maranhão

Segundo o governo do Estado, a ordem para os ataques partiu dos bandidos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Em nota, o governo do Maranhão informou que os mandantes dos ataques já foram identificados e que está reforçando o policiamento na capital do Estado.

A polícia maranhense ainda investiga se a execução do policial militar reformado Antônio César Cerejo tem ligação com a onda de terror promovida pelos membros de duas facções criminosas que lutam pelo controle do tráfico de drogas em São Luís.

Ainda conforme a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, o governo está reforçando o policiamento em São Luís e voltará a investir em vídeo monitoramento para tentar conter a onda de criminalidade que a cidade vive hoje.

Situação em Pedrinhas

A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, tem até segunda-feira (6) para prestar informações ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre as providências tomadas para evitar novas mortes no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Só em 2014, dois detentos morreram no interior do presídio. Um deles foi encontrado morto em uma cela de triagem com sinais estrangulamento e o outro foi vítima de golpes de uma arma artesanal com ponta de ferro aguda, semelhante a uma lança (chuço), durante briga de integrantes de uma facção criminosa.

Gilson Teixeira/ASCOM/SSP
O Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão

No ano passado, 60 pessoas morreram no interior do presídio, segundo relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento foi produzido com base em inspeções no sistema prisional do Maranhão, em parceria com o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), presidido por Janot. O pedido de informações foi encaminhado pelo procurador-geral no dia 19 de dezembro, após a morte de cinco presos – três deles decapitados - em uma briga entre facções no Centro de Detenção Provisória de Pedrinhas.

As respostas da governadora poderão subsidiar um eventual pedido de intervenção federal no estado devido à situação dos presídios. O possível pedido também levará em conta o relatório do CNJ, que destaca a necessidade de se intensificar a cobrança, para que as autoridades maranhenses cumpram as recomendações feitas pelo próprio Conselho, pelo CNMP e pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em dezembro, também em razão das mortes provocadas por brigas entre facções rivais em Pedrinhas, a OEA pediu ao governo brasileiro a redução imediata da superlotação das penitenciárias maranhenses e a investigação dos homicídios ocorridos.

Em nota divulgada em seu site, o governo reafirma que "não compactua com atos de violência e que continua agindo em conjunto com todos os setores e órgãos que atuam na defesa dos direitos humanos e daqueles que promovem a garantia da justiça e segurança", e informa que a Polícia Militar está adotando providências complementares nas unidades prisionais de São Luís, entre elas "a ampliação da vigilância com videomonitoramento, a intensificação das revistas nas celas e o aumento da fiscalização interna com o Batalhão de Choque e da fiscalização externa com rondas".

* Com informações da Agência Estado e Agência Brasil

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