Entidades condenam assassinato de jornalista no Maranhão

Organizações nacionais reivindicam que o Congresso Nacional aprove projeto que federaliza os crimes cometidos contra jornalistas

iG São Paulo |

Reprodução
Décio Sá foi assassinado com três tiros
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Luís e o Sindicato dos Radialistas do Maranhão condenaram o assassinato do jornalista brasileiro Décio Sá , que morreu após ser atingido por tiros em um bar de São Luís, capital do Maranhão.

O repórter, de 42 anos, tinha trabalhado 17 anos na seção de política do jornal "O Estado do Maranhão" e escrevia sobre crime e corrupção em seu blog, que tinha se transformado nos últimos cinco anos em um dos mais populares do Estado.

"Esperamos que este assassinato sirva como advertência às autoridades do norte e nordeste sobre os perigos aos quais os repórteres se expõem", afirmou a organização Repórteres Sem Fronteiras, defensora da liberdade da imprensa em comunicado.

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O RSF acrescentou que as autoridades têm que assegurar que os jornalistas possam trabalhar livremente quando averiguam temas de corrupção, e solicitou o esclarecimento de todas as circunstâncias sobre este último fato.

Segundo a nota, as testemunhas indicaram que um homem disparou seis vezes contra Sá e fugiu na motocicleta de um cúmplice que estava a sua espera. De acordo com a RSF, há várias questões envolvidas com a identidade do criminoso, pois a arma que ele utilizou aparentemente é de uso exclusivo da Polícia.

Com três jornalistas mortos em 2011 e quatro nos últimos três meses, o Brasil ocupa a posição 99 de 179 na lista que a RSF elabora sobre a liberdade de imprensa no mundo, após cair 41 postos no último ranking.

Entidades nacionais

ANJ

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) informou que lamenta com profundo pesar o assassinato do Décio Sá. Segundo a organização, "tudo indica que Décio foi morto em decorrência da corajosa cobertura jornalística que fazia dos crimes de pistolagem no Maranhão". A ANJ assinala com grande preocupação que esse é o quarto assassinato de jornalista no Brasil apenas em 2012, o que demonstra o efeito pernicioso da impunidade nos casos de atentado à vida de profissionais que trabalham para melhor informar os cidadãos.

ABI

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) expressou nesta terça-feira sua “extremada indignação” diante do assassinato. A ABI fez um apelo à presidenta Dilma Rousseff e ao ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para que determinem à Polícia Federal que, sem sacrifício da autonomia do Estado do Maranhão, acompanhe as investigações, para identificação e responsabilização penal dos criminosos.

Fenaj e sindicato

A Fenaj, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Luís (MA) e o Sindicato dos Radialistas do Maranhão lamentaram em nota conjunta, o assassinato de Décio Sá.

Na nota, as três instituições pedem às autoridades locais a rápida apuração do crime e a punição dos culpados. Elas reivindicam ainda que o Congresso Nacional aprove o projeto de lei que federaliza os crimes cometidos contra jornalistas.

"É nosso dever exigir rigor das autoridades maranhenses na apuração dos fatos e na punição dos responsáveis pela morte de Décio Sá e, do Congresso Nacional, a aprovação do projeto de lei que estabelece a federalização dos crimes contra jornalistas", diz o documento.

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A nota ressalta ainda "a atuação destemida" de Décio Sá e enfatiza que "seu covarde assassinato deixa entristecida toda a categoria dos jornalistas maranhenses e indignados todos os jornalistas brasileiros".

"Jamais imaginaríamos que, vencido o período de regime de exceção e, ao alcançarmos a democracia, nos encontramos cercados por uma legislação penal tão estimulante para a prática de atos criminosos, onde a vida dos cidadãos nada vale diante da vingança banal dos bandidos, pistoleiros e mandantes", destaca o documento.

As três entidades também ressaltam que a liberdade para o trabalho da imprensa é fundamental para o exercício da democracia. "Também é nosso dever repudiarmos as frequentes tentativas de cerceamento à liberdade de expressão no Brasil e, principalmente, a violência cometida contra jornalistas", diz o documento.

*Com EFE e Agência Brasil

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