Luz e nanotecnologia para tratamento dentário

Pesquisas revelam como acabar com a cárie e tratar o canal sem precisar abrir o dente

Chris Bertelli, iG São Paulo |

Chris Bertelli/iG São Paulo
Fármaco fotoativado: substância pode auxiliar no tratamento odontológico
Livrar-se do assustador barulho da broca do dentista e do incômodo e da dor que envolvem o tratamento de uma cárie é o sonho de muitos pacientes.

Uma pesquisa conduzida pelo Departamento de Odontologia do campus de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), obteve ótimos resultados nessa linha.

Quinze pacientes foram tratados de periodontite crônica (uma grave inflamação da gengiva que, se não tratada, pode levar à perda do dente) por meio da fotoestimulação e da nanotecnologia.

“O mesmo nanopigmento que pode atingir a célula com câncer, é tão pequeno que pode atuar sobre vírus ou bactérias”, diz Antonio Claudio Tedesco, coordenador do centro de Nanotecnologia da USP em Ribeirão Preto.

Tendo essa descoberta em vista, os dentistas utilizaram o creme sensível à luz (fotossensível), aplicaram luz e conseguiram matar a bactéria que causava a infecção. Com isso a inflamação diminuiu.

“É uma pesquisa bastante pontual, o oxigênio é liberado e mata as bactérias que estão no local. Já pudemos perceber uma redução no componente inflamatório. Os dados ainda serão analisados para ver se o número de bactérias também diminuiu", afirma Sérgio Scombatti, professor do departamento de odontologia da USP-Ribeirão, que participou do estudo.

"Não há resistência bacteriana, é um tratamento local que não afeta todo o organismo do paciente, diferente do que ocorre na utilização de antibióticos", explica. Sobre a nanotecnologia, Scombatti classifica como o que há de mais noderno em termos de liberação de fármacos.

Processo semelhante tem sido utilizado pelo Instituto de Pesquisa Energéticas e Nucleares (Ipen) para o tratamento de canal. Habitualmente, por conta de uma infecção, remove-se a polpa dental, uma estrutura viva que contém nervos e vasos sangüíneos, e mantém-se a estrutura externa. Pesquisas mostraram que aplicação de fármacos fotoativados e nanotecnológicos nos canais e a posterior radiação da luz não somente reduziram a infecção como permitiram um índice maior de recuperação do canal doente.

Chris Bertelli/iG São Paulo
Centro de Estudos em Nanotecnologia, em Ribeirão Preto

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