Lupi diz que PDT pode apoiar Aécio para presidente em 2010

BELO HORIZONTE (Reuters) - Apesar de ocupar há mais de dois anos um cargo no primeiro escalão governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou que seu partido, o PDT, sinalizou apoio ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) na sucessão presidencial de 2010. Lupi, que presidiu o PDT, esteve com Aécio nesta terça-feira.

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"Tenho que primeiro aguardar a decisão do partido do qual o governador Aécio faz parte. É claro que, amanhã o PSDB decidindo pelo nome do governador Aécio, muda todo o quadro eleitoral nacional. Nós temos de avaliar esse novo quadro", afirmou o ministro.

O governador mineiro disputa com o colega paulista, José Serra, a indicação do PSDB para concorrer à Presidência.

Lupi disse que o fato de ser ministro não atrela o partido a um candidato apoiado por Lula. "Uma coisa não tem necessariamente nada a ver com a outra. Nós, quando assumimos o governo e aceitamos a honrosa missão que o presidente Lula nos deu, aceitamos com o compromisso de base de apoio do governo", declarou. "Em nenhum momento nós discutimos a sucessão à Presidência" completou.

Em março, o também ministro Hélio Costa (PMDB), das Comunicações, já havia declarado apoio a Aécio Neves. Mineiro, Costa disse na época: "Entendo que Minas, tendo a opção de ter uma candidatura viável, acho patriótico apoiar uma candidatura mineira. Eu pessoalmente estou trabalhando no sentido de que o PMDB tenha em aberto a opção de estar com o governador Aécio Neves".

PESQUISA

Aécio comentou o resultado da pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana que aponta que o PSDB só conquistaria a Presidência caso Serra fosse o candidato.

"O que existe de consistente nessas pesquisas é o crescimento da ministra Dilma, seja pela exposição que tem, seja pelo piso que uma candidatura do PT certamente apresentará", avaliou Aécio.

Ele acredita que uma candidatura do PT apoiada pelo presidente Lula terá um piso de largada em torno de 30 por cento. "A partir daí, é o candidato, são suas qualidades, a capacidade do candidato se comunicar e de convencer o eleitor", disse.

O Datafolha apontou derrota do PSDB numa disputa entre o governador mineiro e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Pela sondagem, Aécio teria 14 por cento dos votos, ante 19 por cento da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do governo, enquanto o deputado federal Ciro Gomes (PSB) teria 25 por cento. Em outro cenário, sem Aécio, Serra bate Dilma.

GUERRA FISCAL

Aécio e Serra marcaram encontro para esta semana em Belo Horizonte quando assinam convênios de substituição tributária. De acordo com Aécio, os acordo permitirá que alguns produtos tenham impostos cobrados na origem, ao invés da tributação ocorrer no Estado onde os produtos são vendidos para que, segundo o governador, haja uma "minimização da sonegação".

A assinatura do convênio ocorre uma semana após anúncio do presidente da mineira Itambé (Cooperativa Central dos Produtores Rurais), Jacques Gontijo, de que a empresa pretende investir 20 milhões de reais na construção de uma fábrica de leite UHT em Brodósqui, no interior de São Paulo.

A Itambé alegou que o investimento se deve à adesão de uma cooperativa de leite paulista, mas a política tributária também tem peso decisivo. Enquanto Minas cobra 18 por cento de ICMS para leite UHT, a alíquota paulista é zero.

(Reportagem de Marcelo Portela; Edição de Carmen Munari)

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