Lupi defende isenção de IPI mais longa e corte de juros

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu nesta quarta-feira a manutenção da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e a redução de taxa básica de juros, como forma de garantir o crescimento do mercado de trabalho. O alívio no IPI expira no fim de março e a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir sobre a Selic está agendada para os dias 20 e 21 de janeiro.

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"Está dando resultado", disse Luppi a jornalistas sobre os efeitos da isenção do IPI nas vendas de automóveis e, consequentemente, para a garantia de empregos no segmento. "É um setor estratégico, tem uma cadeia produtiva muito grande."

Para o ministro do Trabalho, o Banco Central deveria baixar a Selic a fim de diminuir o medo que as pessoas têm de tomar dinheiro emprestado para consumir e investir. "A principal atitude neste primeiro mês é a baixa na taxa de juros. É o que está acontecendo no mundo todo", defendeu.

Lupi, que é presidente licenciado do PDT e ligado ao movimento sindical, classificou a atual taxa de juro, de 13,75 por cento ao ano, como "proibitiva". "As taxas de juros cobradas no Brasil são abusivas", acrescentou.

O ministro disse que receberá nos próximos dias os números atualizados do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Depois que analisar os dados decidirá novas medidas do ministério para aumentar a oferta de financiamento a habitação, saneamento básico e pequenas e médias empresas.

O ministro descartou a flexibilização de leis trabalhistas e alegou que ainda é cedo para o governo decidir que ampliará a liberação do seguro-desemprego para os trabalhadores que forem demitidos por causa da crise financeira global. "Ainda não houve uma demissão generalizada em um setor. A gente não pode se precipitar."

EMPREGO EM 2009

Apesar de ponderar que precisa analisar as condições do mercado de trabalho no primeiro trimestre, Lupi reafirmou que a meta do governo é criar 1,5 milhão de vagas formais este ano. Segundo o ministro do Trabalho, os dois primeiros meses de 2009 serão "frágeis", mas a recuperação se dará em março.

Em novembro e dezembro de 2008 a crise já afetou o mercado de trabalho formal do país. Mesmo assim, nos primeiros 11 meses de 2008, segundo o Ministério do Trabalho, 2,1 milhões de vagas com carteira assinada foram abertas --recorde para o período.

Lupi afirmou também que, à medida que cresce o interesse do empresariado pelo uso dos recursos do FAT para colocar trabalhadores em cursos de qualificação sem onerar as empresas, o conselho deliberativo do fundo deve definir o mais rápido possível critérios para uso e controle desse dinheiro.

(Por Fernando Exman)

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