Lulista e petista, Padilha assume coordenação política

BRASÍLIA (Reuters) - Ao receber o cargo nesta segunda-feira, o novo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, não escondeu sua forte ligação com o PT e disse que entrou para a política por causa da atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A minha geração começou na política e só se juntou na política pela liderança do senhor (Lula), disse Padilha no discurso. Essa geração disputava intensamente na política, mas quando chegava para ser liderada pelo presidente Lula todo mundo cantava uma música só.

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Muito concorrida, a cerimônia em que José Múcio Monteiro, deputado pelo PTB, entregou o cargo a Padilha lotou um salão do Itamaraty.

Lula ironizou o currículo que Padilha fez questão de destacar. "Se eu soubesse que Padilha era tudo isso, tinha indicado alguém menos lulista e petista", disse o presidente.

Alexandre Padilha, até agora chefe da subsecretaria de Assuntos Federativos da Presidência, é médico de 38 anos e responsável pelo relacionamento do governo federal com governadores e prefeitos --muitos deles presentes ao evento, junto de parlamentares que se dispuseram a estar em Brasília em uma segunda-feira à tarde.

Padilha afirmou também que participou da ideia da coalizão de governo, que hoje reúne pelo menos 15 partidos, e fez acenos para os congressistas, com quem passa agora a se relacionar.

"O primeiro desafio do nosso ministério é fazer com que a base que está no Congresso participe cada vez mais das decisões do governo e, sobretudo, se sinta contemplada e receba os créditos das boas ações e das conquistas do governo", afirmou, ao mesmo tempo em que citava nominalmente lideranças do Parlamento, além dos nomes de prefeitos e governadores.

Apesar das citações, Padilha, que nunca concorreu a cargo público, recebeu reprimenda de Lula por não ter mencionado o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presente na cerimônia.

"Você não a elogiou e, portanto, vai saber o peso da Casa Civil em suas decisões", disse Lula.

Outro que não foi citado foi o ministro Paulo Bernardo (Planejamento). "O homem do orçamento, a quem de vez em quando você tem que se dirigir para liberar o dinheiro e você não disse nada para ele", reclamou Lula.

Múcio, que esteve à frente da pasta desde 2007, foi chamado de "amigo" por Lula depois de o presidente dizer que quando assumiu ele não gozava de sua intimidade política. Múcio vai ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) e já teve seu nome aprovado pelo Senado.

Também já ocuparam o ministério das Relações Institucionais Walfrido Mares Guia, Jaques Wagner, Aldo Rebelo e Tarso Genro, muitos deles presentes ao evento desta tarde.

(Reportagem de Natuza Nery; Texto de Carmen Munari)

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