O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou nesta terça-feira com força total a campanha para eleger a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto. Em visita a Alagoas, acompanhado da ministra, o presidente disse que vai eleger sua sucessora.


"Está chegando o ano eleitoral. E eu não posso falar de eleição. Mas eu só vou dizer uma coisa para vocês. Pode escrever. Eu vou ajudar a eleger a minha sucessora", disse Lula, ao discursar na cerimônia de inauguração de uma adutora em Palmeira dos Índios, no interior do Estado. Após uma longa pausa para aplausos, o presidente emendou: "Ou sucessor".

Agência Estado
Lula e Collor
"Além do Collor, que é de Alagoas, o único presidente a vir aqui foi Juscelino Kubitschek", disse Lula, na cidade de Palmeira dos Índios

A obra inaugurada faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), coordenado por Dilma, e teve contrapartida do governo alagoano. Ao iniciar o discurso, ao lado do governador tucano Teotonio Vilela Filho, Lula havia dito justamente que a parceria servia de prova de que o objetivo não era buscar votos. "O que aconteceu aqui é que nós não estamos pensando em 2010", disse Lula, que foi exaustivamente elogiado pelo tucano em seu próprio discurso.

Ainda assim, ao final da fala, o presidente voltou a citar a disputa eleitoral, dessa vez criticando um discurso semelhante ao que guiou o início de sua vida política. "Na época das eleições, pobre tem um valor incomensurável. A coisa mais habitual em época de eleição é a gente ver candidato xingar banqueiro, xingar grande empresário, xingar usineiro. E o povo é maravilhoso. Passadas as eleições, o povo nunca mais é chamado para nada", disse Lula.


Elogios a Collor e Renan Calheiros

Em lados opostos na eleição de 1989, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Fernando Collor de Mello escolheram a terra do ex-presidente para mostrar que deixaram definitivamente as diferenças de lado.

Ainda assim, criticou em sua fala o "compadrio" de políticos que o antecederam. Logo na abertura do discurso, o presidente agradeceu a Collor e ao também senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pela ajuda que eles têm prestado ao governo no Congresso.

"Quero fazer Justiça ao senador Collor e ao senador Renan, que têm dado sustentação ao governo em seu trabalho no Senado", afirmou Lula. Renan, apesar de mencionado por vários participantes do evento, não estava presente.

Alguns minutos depois, Lula voltou a elogiar Collor e até se comparou ao ex-presidente. Ao falar sobre sua afinidade com o povo nordestino, o presidente mencionou Juscelino Kubitschek e incluiu Collor na equação. "Não era habitual neste País os presidentes percorrerem o Brasil. Além do Collor, que é de Alagoas, o único presidente a vir aqui foi Juscelino Kubitschek."

Bolsa-Família

Ao exaltar sua preocupação com o Nordeste, Lula destacou que, em decorrência das dificuldades da região, é justamente ali que está a maioria dos beneficiários da Bolsa-Família. "Muita gente, quando nós criamos o Bolsa-Família, falou que era esmola. Mas quem fala que é esmola normalmente é gente que não precisa do Bolsa-Família", rebateu.

Dilma, que discursou antes de Lula, passou longe do tema eleição. Depois de trocar o nome da cidade por Palmeira das Missões, ela investiu na aproximação com o Nordeste, base eleitoral de Lula. "Precisou outro nordestino chegar à Presidência do Brasil para que a vida difícil desse povo começasse a mudar", disse a ministra.

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