BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta terça-feira os entraves burocráticos para a execução de obras no Brasil. Durante cerimônia de assinatura de atos para início de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Baixada Santista, no Estado de São Paulo, Lula pediu maior harmonia entre os poderes, os entes federados e a sociedade civil, de forma a agilizar projetos de infra-estrutura no País.

"No Brasil habitualmente é assim. O governo decide que vai fazer uma obra, aí essa obra é anunciada, aí começa acorrer toda a papelada nas tramitações normais em todas as instâncias do governo. E essas coisas demoram porque, às vezes, um técnico entende que a palavra está escrita errada e que precisa mudar a palavra", disse Lula.

Também criticou, mais uma vez, a burocracia para o licenciamento ambiental de obras. "Quando a gente pensa que está tudo resolvido, tem um problema ambiental e demora mais alguns meses. Quando está tudo resolvido na questão ambiental, aparece alguém do Ministério Público e diz que está errado", afirmou.

O presidente frisou que não estava culpando ninguém individualmente, e disse que a culpa é "coletiva". Mas mandou um recado para os legisladores municipais e estaduais e para o Congresso. Segundo Lula, às vezes eles aprovam algo com a melhor das intenções, mas atrapalham.

"Para mudar isso é preciso estabelecer uma relação harmônica entre o governo do estado, o governo federal, os prefeitos e as entidades da sociedade civil, para a gente perceber se a gente pode ou não agilizar", defendeu.  

Lula também procurou justificar o fato de estar lado a lado com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). "A sociedade está nos ensinando que tem o momento de fazer a disputa, tem o momento da eleição, e quando a gente ganha é aquilo que diz o governador Serra:
depois das eleições a gente tem que governar a cidade, governar o estado, governar o país e deixar a briga para as próximas eleições", disse o presidente.

Lula e Serra assinaram atos para o início de diversas ações do PAC na Baixada Santista. O pacote engloba a construção de moradias e obras de urbanização de favelas nos municípios de Santos, Cubatão, Guarujá e São Vicente. Somadas a projetos já em andamento, as obras têm custo estimado de R$ 349 milhões. O governo federal entrará com R$ 220,6 milhões.

Antes da cerimônia, o presidente Lula sobrevoou as obras de implantação da Avenida  Perimetral da Margem Direita do Porto de Santos. Agora à tarde, Lula vai a cidade de São Paulo para assinaturas de contratos para despoluição de mananciais de água das represas Billings e Guarapiranga, da Linha Verde do Metrô e de autorização da Rádio Comunitária de Heliópolis. Antes de retornar a Brasília, Lula ainda participa de cerimônia de assinatura de atos relativos a obras do PAC dos municípios do ABC paulista.

Acompanham o presidente os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff; das Cidades, Marcio Fortes; da Previdência, Luiz Marinho; das Comunicações, Hélio Costa; do Turismo, Marta Suplicy; e da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito.

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