Lula vê protecionismo como caos, defende livre comércio

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a alertar nesta segunda-feira para o perigo de os países adotarem medidas protecionistas como forma de defesa contra os efeitos da crise financeira global. Ele defendeu a ampliação da concorrência e o livre mercado. Pesam sobre nós algumas responsabilidades muito grandes, por exemplo, nós não temos o direito de aceitar o protecionismo como solução para essa crise. Pode ser que uma ou outra empresa esteja a exigir de nós maiores cuidados internos, mas o protecionismo certamente levará ao aprofundamento desta crise, disse Lula.

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As declarações foram feitas em encontro com o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"Se os americanos se fecharem, se a Europa se fechar, se o Brasil se fechar a crise ganhará uma dimensão muito maior e aí, ao invés de solução, nós poderemos ter o caos", acrescentou.

Em lugar do protecionismo --prática de proteção aos produtores de um país, que tende a ser ampliada em momentos de crise-- o presidente Lula defendeu o livre comércio.

"Portanto, a saída para essa crise é mais mercado, mais livre comércio e mais concorrência, como o mundo desenvolvido sempre falou nesses últimos 30 anos", disse, destacando a necessidade de reabrir as discussões da Rodada Doha de liberalização comercial. "Não tem nada mais que impeça a Rodada Doha, é uma decisão política."

O primeiro-ministro Balkenende fez coro junto ao presidente brasileiro ao afirmar que "o protecionismo não é o bom caminho".

Lula voltou a defender a necessidade de regulação dos mercados financeiros, origem da crise, e disse que esta será sua missão e dos demais presidentes e chefes de Estado durante o encontro de países desenvolvidos e emergentes (G20) que acontece em Londres em 2 de abril.

Diferentemente do início da turbulência internacional, que começou em setembro do ano passado, quando Lula classificava a crise como uma "marolinha", ele disse nesta segunda-feira que, por conta de especulação, "o sistema financeiro internacional quase quebrou".

O presidente defendeu ainda a presença do Estado na economia, afirmando que esta participação foi negada pela maioria dos países durante o século 20 e agora, ao contrário, economistas e teóricos receitam estatizar instituições financeiras para salvá-las.

A Holanda, que tem no Brasil empresas como a Unilever e a Shell, foi o terceiro maior investidor estrangeiro no mercado brasileiro no ano passado e o fluxo de comércio entre os dois países é da ordem de 11,9 bilhões de reais.

Lula e Balkenende trocaram camisas da seleção de futebol de seus países. "Estarei como torcedor", disse Lula sobre a Copa de 2014 programada para o Brasil. Ele deixa a Presidência em janeiro de 2011.

(Reportagem de Carmen Munari)

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