SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que vê nervosismo na oposição sobre a possibilidade de um terceiro mandato e afirmou que vai dialogar com a base aliada sobre a medida, proposta por um deputado do PMDB. Eu vou conversar com a base aliada porque eu não vejo sentido em que as pessoas fiquem discutindo o terceiro mandato, afirmou Lula em entrevista na cidade de Caravelas, na Bahia.

Ao negar interesse em concorrer pela terceira vez à Presidência, Lula argumentou que o Brasil tem pouco tempo de democracia e "a alternância de poder é muito importante para o país".

Ao mesmo tempo, disse que aqueles que são contrários ao mecanismo podem derrubá-lo em referendo que está sendo sugerido pela proposta de emenda constitucional.

"Agora, eu acho de vez em quando engraçado o nervosismo da oposição com essa hipótese. Até porque o Congresso não está propondo o terceiro mandato, está propondo um referendo e as pessoas podem derrotar o referendo na hora que quiserem. Mas não é uma discussão que me diga respeito", declarou.

O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou, pela segunda vez na quinta-feira, proposta de emenda constitucional (PEC) com o número de assinaturas necessárias. A PEC prevê um referendo popular a ser realizado em setembro para aferir a aceitabilidade do terceiro mandato para presidente, governadores e prefeitos.

A medida precisa percorrer um longo caminho no Congresso, que passa por comissões e por dupla votação no plenário da Câmara, seguindo depois para o Senado.

No discurso que realizou em Caravelas, onde assinou medidas de proteção ao meio ambiente, ao lado do ministro Carlos Minc, Lula recomendou aos presentes que desconfiem das propostas de políticos da oposição.

"Tenho mais um ano e meio de mandato. Tem muita coisa para fazer neste país. A única coisa que eu peço para vocês é o seguinte: tomem cuidado porque agora está chegando o ano eleitoral e quando vai se aproximando o ano eleitoral vocês vão vendo as pessoas começarem a aparecer na TV como salvadores da pátria", disse.

Ele mencionou indiretamente o escândalo do mensalão ocorrido em 2005 e disse que deu a resposta em 2006, com sua reeleição.

"O que incomoda os meus adversários é que eles sabem que, embora eu governe para todo o povo brasileiro, eu tenho lado e o meu lado é o povo trabalhador, é o povo mais pobre deste país."

(Texto de Carmen Munari)

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