Lula vê diálogo entre Chávez e Obama após Cúpula

Por Guido Nejamkis PORT OF SPAIN (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse neste domingo que vê uma nova era na relação entre os Estados Unidos e a América Latina depois da 5a Cúpula das Américas, indicando que criou-se um ambiente para diálogo entre Washington e Caracas após anos de tensões.

Reuters |

"Eu disse ao Chávez: tua divergência era com o Bush e não com os Estados Unidos, este é o momento. Esse clima está pelo menos criado. A reunião permitiu dar um passo", afirmou Lula a repórteres antes de se preparar para voltar ao Brasil.

Lula revelou que muitas vezes recomendou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a buscar um diálogo direto com Washington durante o governo de George W. Bush, mas disse que isso não foi possível porque o líder venezuelano tinha "a convicção de que Bush mandou dar um golpe (de Estado) contra ele", que o tirou do poder brevemente em 2002.

As relações diplomáticas entre Venezuela e Estados Unidos foram reduzidas ao mínimo no ano passado, apesar do amplo comércio entre os dois países.

No encontro realizado em Trinidad y Tobago, representantes de Caracas e Washington conversaram sobre a designação de seus respectivos embaixadores logo depois que Chávez e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se cumprimentaram com sorrisos e após o venezuelano dizer que queria ser seu amigo.

Lula também afirmou que "Obama tomou um banho de América Latina", e que a relação dos Estados Unidos com a região evoluirá. "Criamos uma nova maneira de mirarmos e vencer nossas divergências, debates", expressou.

CONSENSO

A ativa política exterior do Brasil tem posicionado o país como um construtor de consensos na região, e Lula tem mostrado grande habilidade para trabalhar com líderes de todas as correntes ideológicas que governam a região.

O líder brasileiro disse que ia embora "realizado" pelo êxito da reunião, na qual 34 líderes do continente discutiram assuntos como a exclusão de Cuba do encontro e o sistema interamericano, a crise econômica e em alguns momentos a tumultuosa relação dos Estados Unidos com a América Latina.

"Pode ser criada uma nova dinâmica. Vamos ser francos, todos esperavam que Chávez e Obama fossem se atacar, e ocorreu exatamente o oposto", afirmou Lula.

"Se ele (Chávez) teve um problema grave com a 'era Bush', isso pode ser mudado na era Obama. Saio daqui realizado com a reunião. A guerra não ocorreu e teve uma reunião excepcional. O que poderia ter ocorrido de melhor foi o clima político", acrescentou.

Lula disse ainda que acabou o tempo em que a América Latina esperava todas as soluções de seus problemas dos Estados Unidos, indicando que os males que afetam a região devem ser resolvidos por ela, sem interferências. Lula também lembrou que a maior economia do mundo enfrenta um delicado momento econômico.

"Temos que parar com essa mania de que somos pequenos, somos pobres, que é preciso que alguém venha nos ajudar. Podemos querer financiamento para fazer as coisas, mas quem tem que se ocupar de nossos problemas somos nós", explicou.

Nesse sentido, disse que não crê que os Estados Unidos devam se ocupar com o narcotráfico na Colômbia e com outros problemas "de nossas fronteiras" na América do Sul. "Quando resolvemos nossos males ganhamos autoridade moral", enfatizou o presidente.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG