Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que está preocupado com a queda da atividade da economia brasileira no início de 2009. Lula descartou, entretanto, que a economia entrará em recessão e adiantou que o Planalto tomará novas medidas para combater os reflexos no país da crise financeira mundial.

Em conversa com jornalistas que fazem a cobertura do Palácio do Planalto, Lula ressaltou que as novas medidas servirão para assegurar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mas evitou revelá-las, Disse que tem essa preocupação porque "retomar os investimentos do zero é mais difícil".

O presidente voltou a dizer que os focos do governo são os setores que mais empregam e geram renda, como a indústria automobilística, a construção civil, a agricultura e as pequenas empresas, e contou que se reunirá até o dia 29 de dezembro com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para definir possíveis remanejamentos de verbas do Orçamento do ano que vem.

"Tenho uma preocupação, que é o primeiro trimestre do ano que vem", declarou o presidente. "Recessão não. Isso não está na cogitação de ninguém."

Apesar de o Orçamento do ano que vem prever uma alta do PIB de 3,5 por cento e o mercado estimar um crescimento inferior a 3 por cento, Lula reforçou que está otimista.

"Trabalhamos com a hipótese de crescimento de 4 por cento no ano que vem", destacou. "Se fosse um crescimento maior, seria mais gostoso."

O presidente assegurou que não se arrepende de ter dito que a crise externa que atinge fortemente os Estados Unidos e a União Européia corresponderia a uma "marolinha" no Brasil, pois quando disse isso o país crescia de forma acelerada, tanto que depois ficou comprovado que o PIB do terceiro trimestre avançou 6,8 por cento. "Faria de novo", disse.

Perguntado se defendia uma queda da taxa básica de juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom)do Banco Central, Lula foi diplomático. Elogiou a atuação do colegiado, mas deu sinais de que gostaria de ver a medida anunciada.

"Obviamente, esse é um ingrediente no início do ano ou no ano que vem", afirmou. "Até agora, a política monetária foi acertada. O Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do BC) é um homem inteligente e vai saber o que fazer."

O presidente voltou a dizer que as medidas anunciadas pelo governo para combater a crise financeira global já começam a surtir efeito. "O crédito quase voltou ao mesmo nível de antes da crise", afirmou o presidente.

Lula também voltou a recomendar que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, atue rapidamente para combater a crise. "Tem que fazer logo. Se não tomar medidas rapidamente, a máquina nos absorve."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.