BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula indicou nesta quarta-feira que a decisão sobre a compra de caças do programa F-X2 pode sair neste ano, reiterando que a decisão do governo levará em conta a soberania do país e o preço. Não é um acordo econômico... estamos discutindo a soberania do nosso país, inclusive a soberania tecnológica, disse Lula a jornalistas, reconhecendo que a questão do preço também está em jogo.

A polêmica em torno dos caças vem se arrastando há meses. No ano passado, Lula já havia dito que sua decisão seria política e estratégica. O presidente chegou a assinar carta de intenção de compra dos caças franceses Rafale, da fabricante Dassault, durante visita do presidente Nicolas Sarkozy ao país em setembro de 2009.

A preferência da Força Aérea Brasileira (FAB), no entanto, seria pelos caças suecos Gripen NG, fabricados pela Saab. A norte-americana Boeing, fabricante do F-18 Super Hornet, também está entre as finalistas da FAB, mas o governo Lula sequer considera sua compra, segundo uma fonte.

A mesma fonte informou à Reuters na semana passada que a decisão do governo brasileiro é pela aquisição dos caças Rafale, mas que o país iria pressionar a França para baixar os custos da operação.

"Pode ser este ano, o governo passado já deixou para mim", afirmou o presidente, referindo-se ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e indicando também que não deseja deixar essa questão sem solução para o próximo governo.

"(No início do governo em 2003) eu tinha que escolher entre combater a fome ou comprar aviões", afirmou Lula.

A negociação envolve 36 caças --no valor estimado de 10 bilhões de reais-- dentro de um pacote que pode prever a aquisição de até 120 aeronaves.

(Reportagem de Natuza Nery e Isabel Versiani)

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