O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu hoje a entender que o governo pode apoiar os projetos que tramitam no Congresso propondo a redução da faixa de fronteira. Não tem nenhum sentido este Estado (o Rio Grande do Sul) ainda ter uma área delimitada de fronteira de 150 quilômetros, afirmou, durante cerimônia de assinatura de convênios do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no bairro Sarandi, em Porto Alegre.

"Antigamente, tinha justificativa porque se pensava em guerra com a Argentina. Ninguém quer fazer guerra com a Argentina e nem a Argentina quer guerra com a gente", complementou.

Como o tema é polêmico entre os gaúchos e entre a base de apoio de Lula, ele tratou de abrandar o discurso em seguida, ressalvando que o Brasil não pode mudar a lei demarcando a área de fronteira apenas para permitir plantações de eucaliptos e pinus para a indústria da celulose. "Precisamos pensar uma forma mais justa de desenvolvimento, que não envolva apenas uma fábrica, mas também milhares de pequenos agricultores produzindo e tendo renda", afirmou.

Uma proposta de emenda constitucional (PEC) do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), aprovada em 21 de janeiro pela Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado, reduz de 150 para 50 quilômetros a faixa de fronteira do Chuí (RS) até a divisa de Mato Grosso do Sul com Mato Grosso e é apoiada pela maioria dos prefeitos e deputados da região. Ao mesmo tempo é combatida por sem-terra e pequenos agricultores que acusam os políticos de retirar empecilhos legais para as plantações de eucaliptos que a empresa sueco-finlandesa Stora Enso quer fazer na região.

Antes de abordar a questão da faixa de fronteira, Lula repreendeu a platéia de cerca de 5 mil pessoas que foi aplaudi-lo pela assinatura de convênios com diversos prefeitos para autorizar a construção de centenas de casas, redes de esgoto, projetos de urbanização e apoio financeiro a policiais que queiram complementar estudos.

Público

O público, formado majoritariamente por simpatizantes do PT, vaiou a governadora Yeda Crusius (PSDB), que abreviou o discurso afirmando que a manifestação era um prenúncio da campanha eleitoral e que não faria daquele momento um ato de campanha. Lula abraçou a governadora e começou a falar logo depois pedindo para fazer uma ponderação ao público. O presidente lembrou a todos que o lançamento de obras do PAC é um ato institucional e não político-partidário. Também criticou a imprensa, prevendo que a vaia seria mais motivo de matérias do que os investimentos do PAC, ao dizer que os meios de comunicação "têm o hábito de não gostar de dar notícia boa".

Ressaltou ainda que não está em campanha política porque, para isso, teria de escolher um entre vários candidatos da base aliada e poderia ser cobrado por isso quando pedisse apoio de parlamentares da base aliada no Congresso. "A campanha presidencial é em 2010 e eu não posso ser candidato porque a Constituição determina apenas dois mandatos", reiterou.

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