Lula se reúne com famílias dos três jovens mortos no Rio

RIO DE JANEIRO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu durante 45 minutos, na tarde desta segunda-feira, com familiares dos três jovens do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, que foram mortos no Morro da Mineira, na semana passada, após terem sido entregues a traficantes por um tenente do Exército. O encontro ocorreu no Palácio da Guanabara, na capital fluminense.

Redação com Agência Estado |

AE
Além de Lula, participam da reunião o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, e o governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB). O ministro da Defesa, Nelson Jobim, não participa do encontro. Ele está em Brasília.

Os corpos dos três jovens foram encontrados em um lixão de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Abordados por soldados, eles teriam desacatado os militares e, como punição, entregues a traficantes rivais do Morro da Mineira, na zona norte da cidade, onde foram mortos. Onze militares acusados do crime estão presos no 1º Batalhão de Policiamento do Exército, na Tijuca.

Polícia Militar no lugar do Exército

Policiais Militares do Rondas Ostensivas Nazaré Cerqueira (Ronac), do Comando de Policiamento em Áreas Especiais (Cepae) e do 5º BPM da Praça da Harmonia, começaram a atuar no Morro da Providência.

Por questões de segurança, a Polícia Militar do Rio não informou o número de soldados que foram deslocados para os acessos do Morro da Providência. Disse, no entanto, que os objetivos da ocupação são aumento no patrulhamento da área e propiciar maior segurança aos moradores. 

No sábado, o Comando Militar do Leste diminuiu o contingente no morro de 200 para 60 homens. A medida foi adotada em cumprimento à decisão judicial que impôs restrições à permanência das tropas na comunidade

O caso

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

Força Nacional

A Força Nacional de Segurança Pública foi criada em junho de 2004 pelo Ministério da Justiça, para atuar nos Estados em situações emergenciais. Ela é comandada pela Secretaria Nacional de Segurança e reúne os melhores policiais dos Estados e da Polícia Federal.

Os integrantes da tropa, porém, não deixam de atuar nas instituições de origem. Após um treinamento de duas semanas, os policiais retornam para trabalhar em seus Estados e permanecem em prontidão para uma possível convocação. Depois de encerradas as operações especiais, são dispensados e voltam aos seus Estados.

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