Lula responsabiliza PSDB por CPI da Petrobras

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira, antes de embarcar para a Arábia Saudita, a instalação de uma CPI para investigar supostas irregularidades cometidas pela Petrobras. Em entrevista convocada pelo Palácio do Planalto, Lula disparou contra o PSDB. A Petrobras ainda não se pronunciou oficialmente sobre a CPI, mas tem negado as denúncias que levaram a oposição a pedir a criação da comissão.

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"Acho estranho que um partido que já governou esse país por oito anos, que já teve dezenas de governadores e tem governadores nos Estados mais importantes do país tome uma decisão irresponsável como essa", disse o presidente a jornalistas na Base Aérea de Brasília.

"Irresponsável porque parece uma briga de adolescentes. Ou seja, não há nenhuma explicação lógica para essa CPI."

A oposição quer que a CPI investigue várias questões, entre elas a manobra tributária realizada pela estatal que reduziu o saldo de imposto a pagar, além de denúncias de irregularidades em contratos para construção e reforma de plataformas e na licitação para obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

O requerimento para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito foi lido no plenário do Senado nesta sexta-feira, dando início ao procedimento para instalar a CPI.

Na véspera, um acordo de líderes previa uma audiência de senadores com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, em troca da suspensão da CPI. O PSDB, no entanto, afirmou que não participou do acerto e conseguiu dar início ao procedimento para instalar a comissão.

"Não creio que isso seja de interesse dos governadores, do possível candidato do PSDB (à sucessão presidencial). Possivelmente, isso seja muito mais de interesse de pessoas que estão a um ano e meio do final do mandato e não têm certeza se voltarão como senador", acrescentou.

Para o presidente, a CPI atrapalha o Brasil, que tenta iniciar um debate público sobre o novo marco regulatório do setor de petróleo e obter financiamentos internacionais para a Petrobras explorar a área marítima de pré-sal em meio à crise financeira global.

Lula negou que o governo e sua base aliada no Congresso tenham vacilado, dando espaço para o PSDB.

"Esse governo passa acordado 24 horas por dia. Portanto, não tem cochilo do governo. O governo não controla o Congresso Nacional", alegou.

O presidente defendeu o acordo que havia sido feito pelos líderes partidários no Senado. "Não acho que haja irregularidade. Nem tudo que tem irregularidade precisa fazer CPI. O país não pode viver uma eterna CPI. Tem outros meios de fazer investigação".

Questionado se a manobra da oposição seria uma forma de antecipação da campanha sucessória de 2010, Lula argumentou que a oposição passou a acusar a Petrobras depois que as críticas às mudanças feitas pelo governo na caderneta de poupança não tiveram maior repercussão na opinião pública.

"Assim ninguém ganha eleição. Eu perdi três eleições muito nervoso, quando fiquei calmo, ganhei", ironizou.

DILMA

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, saiu em defesa da Petrobras. Ela lembrou que a empresa é fiscalizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e tem ações também na Bolsa de Nova York.

"O petróleo vai ser daqui a pouco novamente um bem escasso e nós temos a maior reserva de petróleo do Ocidente. Não é possível uma atitude superficial em relação à Petrobras", disse Dilma a jornalistas, depois de acompanhar o presidente até o avião. Ela não embarcou com Lula.

A ministra afirmou que a CPI "sem dúvida" atrapalhará os investimentos da Petrobras.

"Se você é um investidor, o que você acha de uma empresa na CPI?", indagou, destacando esperar "bom senso".

Dilma disse não achar que a iniciativa teve como alvo sua potencial candidatura à eleição presidencial de 2010.

O pedido de CPI tem 32 assinaturas, acima das 27 necessárias, mas as adesões podem ser retiradas até a meia-noite desta sexta.

(Reportagem de Fernando Exman)

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