Lula recebe trabalhadores em meio a impasse com empresários

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá os trabalhadores na semana que vem, marcando a entrada do governo nas negociações entre empregados e empresários, que estão emperradas pela posição das indústrias de não se comprometerem a manter o emprego, mesmo com a possibilidade de redução de jornada e de salários.

Reuters |

  • Volks deve adotar banco de horas na fábrica de Taubaté
  • Fiesp fala em defesa unânime de corte de jornada e salário
  • José Paulo Kupfer: "Flexibilização" de um lado só
  • Funcionários da GM em São José dos Campos voltam a fazer paralisação
  • Nesta quinta-feira, cinco centrais sindicais decidiram suspender por 10 dias as negociações com os empresários com o objetivo de se reunir com o presidente Lula e com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Querem também um encontro com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

    A Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do país, que se recusa a discutir redução de salários não faz parte das negociações. Houve duas reuniões entre sindicalistas e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), sem que um acordo fosse atingido. A próxima estava marcada para quinta-feira da semana que vem. A direção da Fiesp não se manifestou.

    Lula disse nesta quinta em viagem a Corumbá (MS) que o encontro será na segunda-feira. De acordo com um auxiliar do Palácio do Planalto, a reunião em que Lula quer "ouvir os trabalhadores" será fechada à imprensa. Dificilmente, no entanto, o governo vai aceitar a proposta das centrais de imposição da garantia de emprego para as empresas que conseguirem um acordo ou que receberem algum benefício do governo. Esta medida iria contra o sistema atual de relações do trabalho, explica o auxiliar.

    Na pauta do encontro com Lula os trabalhadores vão levar sugestões de medidas que segurem a queda no consumo e evitem demissões, como uma redução ainda maior de impostos, ampliação do crédito, queda na taxa básica de juros e redução do spread bancário. Propostas semelhantes vêm sendo feitas pela Fiesp.

    "Se conseguirmos que o governo tome estas medidas, talvez não seja necessário fazer estas concessões que os trabalhadores já estão fazendo em São Paulo e no Brasil", disse a jornalistas Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical, que reúne cerca de 7 milhões de trabalhadores.

    Paulinho cobrou do governo que as medidas contra a crise levem em consideração a garantia do emprego dos trabalhadores. Citou o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) que, segundo ele, exigiu a manutenção do emprego quando concedeu redução de imposto.

    Além da Força, estavam presentes à reunião que decidiu suspender as conversas a Nova Central, a CTB, a UGT e a GTB.

    Artur Henrique da Silva, presidente da CUT, confirmou sua presença na reunião com o governo. Antes, na segunda-feira, a central que representa 22 milhões de trabalhadores reúne sua direção na sede em São Paulo para discutir o rumo dos acordos.

    "Está caindo a ficha dessas centrais que é possível fazer acordo diferente", disse à Reuters o dirigente da CUT sobre a decisão de adiar as negociações com os empresários.

    Radical em sua posição contrária à redução de salários e à flexibilização do trabalho sem manutenção do emprego, Artur classifica Paulo Skaf, da Fiesp, de "irresponsável".

    "Ninguém quer estabilidade no emprego, mas se a indústria recebeu benefícios, a contrapartida é manter o emprego", afirma.

    Enquanto Paulinho citou o governo FHC, Artur lembrou que também no governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992) um amplo acordo com as indústrias de automóveis incluiu a manutenção dos postos de trabalho.

    Artur lembra que empresários, trabalhadores e governo vão se encontrar dia 22, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado conselhão.

    Na segunda-feira, o Ministério do Trabalho divulga os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) correspondentes a dezembro, que, segundo o ministro Lupi, serão muito desfavoráveis. Chegou a vazar que o saldo teria sido negativo em 600 mil.

      Leia tudo sobre: lula

      Notícias Relacionadas


        Mais destaques

        Destaques da home iG