BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que, apesar da retração no acumulado do ano, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2009 mostram que o país deve ter um 2010 extraordinário. Segundo números divulgados na véspera pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia se recuperou no quarto trimestre, mas isso não foi suficiente para evitar que o PIB fechasse 2009 com retração de 0,2 por cento.

Foi a primeira queda anual da nova série do instituto, iniciada em 1996. Considerando a série completa, o desempenho do ano passado foi o pior desde 1992.

"Terminamos o ano de forma extraordinária, com uma perspectiva de crescimento excepcional para 2010", disse Lula a jornalistas após visitar fábrica da Positivo Informática, em Curitiba (PR). "Vamos ter um 2010, eu diria, extraordinário."

Horas antes, o presidente já havia rebatido críticas ao desempenho da economia brasileira em 2009, ano que foi marcado pela crise financeira global.

"Ontem saiu o resultado do PIB de 2009. Eu vi a cara de algumas pessoas na televisão falando do PIB. Alguns tinham até a ponta de um sorriso: 'finalmente nós pegamos o Lula porque o PIB dele não cresceu'", disse o presidente durante discurso na cerimônia de conclusão da primeira etapa das obras de ampliação e modernização da Refinaria Getúlio Vargas (Repar) e inauguração da unidade de propeno, em Araucária (PR).

"Se tem um país em que o povo não vivenciou a crise foi este aqui, porque o consumo por família cresceu 4,1 por cento."

Lula voltou a culpar segmentos da iniciativa privada pelas dificuldades econômicas enfrentadas no ano passado, e lembrou que o governo aumentou a oferta de crédito para combater os efeitos da crise.

"O que aconteceu no Brasil, e nós sabemos que aconteceu de uma forma brusca..., foi que alguns setores empresariais ficaram com muito medo e deram um cavalo de pau nos seus investimentos", argumentou.

A jornalistas, ele disse depois que se referia à indústria automotiva. Segundo o presidente, as montadoras brasileiras acataram as ordens das matrizes de "segurar os investimentos".

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