O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu o argumento de setores militares contrários à existência da Raposa Serra do Sol, na fronteira de Roraima com a Guiana, de que a reserva indígena põe em risco a soberania do território nacional. Em discurso de improviso ao lançar o Plano Amazônia Sustentável (PAS), no Palácio do Planalto, Lula afirmou que grande parte dos militares é composta de índios.

"Quem ousa dizer que nossos índios colocam em risco a soberania do País?", questionou.

Lula afirmou, em um recado aos arrozeiros que atuam na região da reserva indígena, a produtores de soja e a outros críticos da política indigenista, que o confronto se dá pela "ignorância" e pela "falta de informação". "Muitas vezes, a gente é contra pelo que ouve dizer", avaliou. "Quando não tinha Exército (na fronteira de Roraima com a Guiana), foram os índios que defenderam nossa soberania", completou. "Por que esse antagonismo?"

O presidente comparou a situação dos índios da Amazônia aos cidadãos de favelas sem infra-estrutura. "Obviamente, se um índio não receber as funções do Estado, vai ser tão rebelde quanto um cidadão numa favela do Rio sem água e esgoto", disse. "O que está faltando ao Brasil é assumir a Amazônia dentro do seu discurso."

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