O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), convenceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reabrir as discussões sobre os critérios do Ministério do Meio Ambiente (MMA) sobre o crescimento do desmatamento no Estado. Depois de uma audiência hoje, Maggi informou que Lula concordou que o assunto seja rediscutido a partir da próxima semana.

O governador do Mato Grosso quer a suspensão da proibição de financiamento para as cidades que entraram na lista dos maiores desflorestadores do País até que os dados sejam revistos.

"Se isso não for feito, não vamos produzir milho, soja, algodão. O preço dos alimentos, que já está alto, vai subir mais ainda", ameaçou. De acordo com Maggi, levantamento feito pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado mostrou que, dos 662 pontos de desmatamento apontados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no Mato Grosso, apenas 10,12% seriam de novas áreas desmatadas.

As restantes seriam áreas em regeneração de florestas ou queimadas que não deveriam entrar na conta. Se fosse assim, os 19 municípios do Estado que entraram na lista dos 36 que mais desmataram no País ficariam de fora. "São apenas 67 propriedades. Eu disse ao presidente que, mantida a suspensão do financiamento, isso estrangula a economia do nosso Estado", afirmou. Segundo Maggi, o Estado enfrenta dificuldades para cumprir a meta de conceder o licenciamento ambiental para as propriedades de todos os 67 municípios que ficam no bioma Amazônia até o início de maio, o que impediria a concessão financiamento agrícola.

"Realmente, não temos condições de cumprir esse prazo. Um licenciamento ambiental leva cerca de seis meses", disse. Os 19 municípios que mais desmataram tiveram a suspensão total da concessão de financiamento até que estejam com as terras recadastradas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o licenciamento ambiental concedido. Já nas demais 67 cidades que pertencem à Amazônia, os produtores podem, na verdade, entrar com o pedido de licenciamento e o obtêm apenas com o protocolo. Maggi admite que o recadastramento de terras no Estado está "muito baixo". "Não sei se é falta de estrutura do Incra no Estado ou é má vontade dos produtores", disse.

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