Lula quer participação de emergentes em discussão sobre crise

SAN SALVADOR (EL SALVADOR) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje que países em desenvolvimento participem dos debates que resultarão no novo desenho do sistema financeiro mundial pós-crise. Em discurso durante a primeira reunião da Cúpula Ibero-americana, em San Salvador (El Salvador), Lula disse estar provado que os mecanismos decisórios atuais não são capazes de prever problemas como atuais e ressaltou a importância da presenças dos emergentes na discussão que definirá novos marcos regulatórios da economia.

Valor Online |

"É preciso refundar mecanismos de governança global, com maior participação dos países em desenvolvimento", disse Lula a chefes de estado. "Em um mundo em que os países em desenvolvimento ou emergentes são vistos como a esperança da retomada do crescimento, não podemos aceitar um processo decisório que nos exclui."
Segundo o presidente, a crise é sistêmica e estrutural, causada por ações irresponsáveis daqueles que trataram o mercado como um "cassino". Ela, entretanto, também abre oportunidades. Chances para discussão de uma nova forma de desenvolvimento, mais inclusiva e integrada.

Para ele, a questão da migração, por exemplo, deve ser vista de outra forma, principalmente neste momento. "Não se pode fazer apologia livre circulação de bens e capitais e proibir a livre circulação de pessoas", disse, ressaltando que vê com preocupação a Diretiva de Retorno da União Européia, da qual fazem parte Espanha e Portugal - dois dos 22 países membros da cúpula.

Lula também destacou a relevância do crescimento do comércio regional, mais justo, com menos subsídios e menos distorções para a superação de uma possível fase de recessão. "Continuamos a apostar na conclusão rápida e exitosa da Rodada de Doha. Precisamos encontrar respostas que estimulem a economia real e promovam o crescimento."
Ao final, Lula ressaltou que a importância de uma resposta conjuntas dos participantes da cúpula. Segundo ele, seria muito estranho voltar ao Brasil sem propostas claras contra o mal momento econômico que o mundo atravessa.

(Agência Brasil)

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