BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que os impactos da crise financeira estão ficando para trás e defendeu um grande marco regulatório para destravar os gargalos da infraestrutura do país. Segundo o presidente, o principal item da proposta seriam mudanças nas leis ambiental e de licitações, que, segundo ele, são tradicionais obstáculos à conclusão de obras consideradas estruturantes.

"A máquina da fiscalização é infinitamente mais poderosa que a máquina da execução", disse Lula em discurso a empresários de empreiteiras, insatisfeito com o grande volume de obras paradas por processos judiciais, ambientais e por ação dos tribunais de contas.

Segundo o presidente, ele não quer "bandalheira", mas é preciso mais transparência e rapidez na execução das obras.

Foi exatamente quando demonstrou frustração com o excessivo número de obras paradas por embargo de diferentes origens que Lula admitiu ser a favor da reeleição para presidente da República, deixando claro porém ser contrário a um terceiro mandato.

"Eu já fui contra a reeleição, agora sou a favor... não conheço um governante que faça uma obra estruturante em quatro anos", afirmou.

Sobre a crise financeira internacional, que eclodiu em setembro do ano passado, disse que "já está ficando uma coisa do passado... porque este país já estava arrumado quando veio a crise".

Lula participou da comemoração dos 50 anos do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), que emprega 5 milhões de pessoas e teve faturamento em 2008 de 102 bilhões de reais, segundo o presidente.

(Reportagem de Natuza Nery)

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