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Lula quer impor diária a ministros para acabar com sacanagem

SÃO BERNARDO DO CAMPO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que pretende instituir diárias para os ministros com o objetivo de acabar com a sacanagem. Quero cumprimentar o companheiro Mariano Palma Vilaça, diretor do Conselho Fiscal do sindicato, que brigava tanto para que as notas do sindicato estivessem em dia. Brigava tanto que me obrigou a instituir as diárias do sindicato, coisa que eu quero fazer para acabar com a sacanagem, afirmou o presidente citando um ex-dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo quando Lula presidia a instituição.

Reuters |

Lula não mencionou no discurso os gastos com cartões corporativos que estão em cheque por desvio de recursos públicos.

A Presidência confirma que há um projeto para estipular diárias para os ministros no valor de 450 reais. Elas devem ser criadas após o final da CPI que investiga os cartões.

Recebido aos gritos de 'um, dois, três, Lula outra vez', o presidente participou nesta noite, na sede do sindicato, das comemorações dos 30 anos da greve dos trabalhadores da montadora de caminhões Scania, em São Bernardo do Campo.

O movimento desencadeou uma onda de greves que culminou com as grandes paralisações dos metalúrgicos em 1979 e 1980, em plena ditadura militar. As greves projetaram o nome do então líder sindicalista Lula.

No discurso dirigido a um auditório de ex-companheiros, Lula descreveu sua participação nas greves.

'Foi a grande lição que tive na vida. A lição de fazer acordo não cumprido, a lição de ser chamado de traidor, a lição de perder a confiança daqueles que depositaram em alguns momentos seus destinos nas nossas mãos', lembrou Lula sobre a greve de 1978 na Scania.

E após quase cinco anos e meio ocupando a Presidência, ele ainda se surpreende em ser presidente.

'De vez em quando, fico em casa deitado, olhando para o teto e me pergunto: 'Será que é verdade que sou presidente da República?'

Lula estava acompanhado da ministra do Turismo, Marta Suplicy, possível candidata do PT à prefeitura de São Paulo, e do ministro da Previdência, Luiz Marinho, que deve concorrer à prefeitura de São Bernardo do Campo, também pelo PT.

(Reportagem de Carmen Munari; edição de Fabio Murakawa)

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