O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não quer ver a Receita Federal refém de uma guerra entre grupos. Furioso com o tiroteio na direção da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula cobrou de Mantega providências para pôr fim à batalha interna desencadeada após a demissão da ex-secretária da Receita Lina Vieira.

Em conversa mantida com Mantega na semana passada, o presidente avaliou que Lina provou não estar à altura do cargo. Demitida em julho, Lina afirmou que Dilma pediu a ela, em dezembro, que agilizasse as investigações do Fisco sobre as empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A chefe da Casa Civil, pré-candidata do PT à sucessão de Lula, em 2010, não só nega o pedido como o encontro.

Na avaliação de Lula, Mantega errou ao demitir Lina antes de encontrar um substituto para o cargo e, com essa atitude, acabou provocando uma crise sem precedentes. Sob a alegação de que a Receita não é mais imune às "ingerências e pressões de ordem política ou econômica", 12 superintendentes e coordenadores da instituição entregaram os cargos na segunda-feira. A rebelião se agravou ao longo da semana com outra leva de dispensas. Os demissionários fizeram questão de dar tom político à saída: solidarizaram-se a Lina e bateram na tecla de que a Receita abandonou a fiscalização sobre grandes contribuintes.

Em conversas reservadas, Lula tem dito que a disputa de poder na Receita parece o confronto entre facções da Polícia Federal.

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