O crescimento das intenções de voto na ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff - revelado pela última pesquisa CNT/Sensus - animou ainda mais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pedir apoio do deputado Ciro Gomes (PSB-PE) à pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto. Na conversa que terá com Ciro, nos próximos dias, Lula vai dizer ao ex-ministro da Integração que deseja não apenas o aval, mas a participação efetiva dele em atividades da campanha de Dilma.

Desde que soube do resultado do levantamento da CNT/Sensus, o presidente não disfarçou a euforia e chegou até mesmo a brincar com a crise de hipertensão que sofreu na quarta-feira. "Não há pressão que consiga subir com a pesquisa de hoje (ontem)", disse ele, à noite, em cerimônia de inauguração de escolas técnicas. "Isso mostra que as pessoas compreendem o que está acontecendo no Brasil."

Embora a sondagem indique que o governador de São Paulo, José Serra - provável candidato do PSDB à cadeira de Lula -, pode vencer a eleição no primeiro turno caso Ciro saia do páreo, o Planalto e a cúpula do PT avaliam que esse cenário não se sustenta. Lembram, ainda, que em qualquer situação a distância entre Dilma e Serra está caindo.

"A gente vai continuar trabalhando para a popularidade subir ainda mais", comentou Lula, em conversa com Dilma, ao analisar os números da sondagem na tela do computador instalado em seu gabinete. "De qualquer forma, Serra já está vendo a Dilma pelo retrovisor", provocou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

Ao lado da ministra, Lula era só sorrisos. Estava bastante entusiasmado com o avanço da chefe da Casa Civil, que agora aparece em um dos cenários da pesquisa com 27,8% das preferências, enquanto o governador de São Paulo lidera a corrida, com 33,2%. "Olha, Dilma, tudo está melhorando para nós", insistiu o presidente. Em público, porém, a ministra manteve o discurso da neutralidade. "É só uma pesquisa", desconversou ela, em rápida entrevista, à noite.

Artilharia

Na prática, os números deram mais argumentos para Lula pedir a Ciro que desista da disputa ao Planalto e concorra ao governo paulista. A estratégia tem o objetivo de garantir palanque para Dilma no maior colégio eleitoral do País e de elevar o tom da artilharia contra Serra, com Ciro na linha de frente.

Lula está convencido de que Ciro participará da campanha de Dilma. O staff petista quer que ele acompanhe a chefe da Casa Civil até em viagens e grave mensagem de apoio à candidata na propaganda política.

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