SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que pretende inaugurar o maior volume de obras no primeiro trimestre do ano para garantir a presença da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Ele também defendeu a continuidade dos programas de governo e previu a vitória da ministra nas eleições presidenciais. Pré-candidata, Dilma (PT) terá de deixar o cargo até o início de abril para concorrer à sucessão presidencial.

"(Neste trimestre) vamos precisar pegar todas as obras que tem em Minas Gerais, que são muitas, inclusive de barragens, para que a gente possa inaugurá-las, porque a partir de abril o Geddel (Vieira Lima, ministro da Integração Nacional) já não estará mais no governo, a Dilma já não estará mais no governo, e quem for candidato não pode nem subir no palanque comigo", disse Lula.

"Então, é importante que a gente inaugure o máximo de obras possível para que a gente possa mostrar quem foram as pessoas que ajudaram a fazer as coisas neste país", acrescentou.

As declarações foram feitas em discurso na entrega de barragem na cidade de Jenipapo de Minas, região do empobrecido Vale do Jequitinhonha, com as presenças de Dilma e de Geddel, que pretende concorrer ao governo da Bahia pelo PMDB.

Lula disse ainda que a oposição não gosta que o governo inaugure obras. "A oposição fica nervosa porque está inaugurando obras."

Depois, ao falar durante a abertura de uma escola técnica no município de Araçuaí, também em Minas Gerais, o presidente afirmou que, para impedir a volta ao passado e dar continuidade aos programas da atual administração, a candidatura governista sairá vitoriosa.

"A única coisa que eu tenho certeza é que nós vamos fazer a sucessão presidencial", afirmou, sempre com a ministra Dilma a seu lado no palco montado para o evento.

Recomendou ainda que os governantes oposicionistas também realizem inaugurações, o que beneficiaria a população. "Vamos acabar com a mesquinharia neste país de que dois caciques da política ficam brigando, e quem come pão que o diabo amassou é o povo pobre deste país."

Em Jenipapo, a barragem consumiu 204 milhões de reais, sendo 184,7 milhões de reais do governo federal e 20 milhões de reais por Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Mesmo com a participação de Minas o governador Aécio Neves (PSDB) não compareceu ao evento, alegando problemas de agenda.

Na inauguração da barragem, Dilma rebateu a oposição, que, segundo ela, pretende acabar com programas como o PAC, e também defendeu a continuidade de gestões.

"O próprio presidente do partido de oposição disse que acabaria com o PAC como uma das medidas que seriam tomadas, porque o PAC não existe. O que é muito grave, porque nós estamos aqui inaugurando uma obra concreta e essa é uma questão que nós não podemos deixar", disse a ministra.

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