Lula promete R$100 milhões para reforçar polícia do Rio

Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu disponibilizar 100 milhões de reais para equipar as forças de segurança do Rio de Janeiro depois dos confrontos entre policiais e traficantes no fim de semana que resultaram na morte de ao menos 17 pessoas, disse nesta segunda-feira o governador Sérgio Cabral (PMDB).

Reuters |

O governador contou ter recebido um telefonema do presidente Lula após os conflitos no Morro dos Macacos, na zona norte da capital fluminense, onde um helicóptero da Polícia Militar foi derrubado no sábado por tiros de supostos traficantes, matando dois policiais na hora e um terceiro nesta segunda-feira, vítima de ferimentos graves.

"Oferecemos toda a ajuda que o governador do Rio de Janeiro precisasse", disse Lula a jornalistas em São Paulo, acrescentando que a oferta feita pelo governo federal de enviar a Força Nacional de Segurança ao Rio foi recusada pelo governador.

"Vamos fazer todo sacrifício que for necessário para limpar a sujeira que essa gente impõe ao Brasil no mundo", acrescentou o presidente em entrevista coletiva ao lado do líder da Colômbia, Álvaro Uribe.

O conflito no Morro dos Macacos começou na madrugada de sábado, quando traficantes de facções criminosas rivais entraram em confronto na favela entre si e com a polícia. Dez suspeitos morreram no sábado, de acordo com a polícia.

O helicóptero da PM foi derrubado quando tentava ajudar os policiais em operação no local. Pouco depois, ônibus foram incendiados por supostos traficantes em ruas da região, assustando passageiros que foram obrigados a descer dos coletivos às pressas.

No domingo, mais dois corpos foram encontrados no alto da favela e outros dois suspeitos de envolvimento na invasão do morro morreram em confronto com policiais na Favela do Jacarezinho, também na zona norte.

Segundo o governador Sérgio Cabral, parte dos recursos será usada na compra de um helicóptero blindado para a polícia fluminense. O helicóptero alvejado no fim de semana só tinha blindagem na fuselagem inferior.

"Recebi um telefonema do presidente Lula para prestar apoio e confirmando a liberação de recursos para esse helicóptero. São recursos de mais de 100 milhões de reais nos próximos seis meses", disse o governador a jornalistas.

NOVAS OPERAÇÕES

Nesta segunda-feira, a polícia fluminense realiza ações coordenadas em pelo menos seis favelas da zona norte da capital, com 4 mil homens de prontidão, de acordo com o major da PM, Oderlei Santos, relações públicas da corporação.

"Temos por objetivo nessas operações prender traficantes que participaram direta ou indiretamente do ataque ao helicóptero no Morro dos Macacos", afirmou o major. Em uma das operações após o incidente com o helicóptero, a polícia apreendeu duas metralhadoras capazes de abater aeronaves.

A polícia informou nesta segunda-feira que estava investigando se a ordem para a invasão ao Morro dos Macacos tinha partido do presídio federal de Catanduvas, no Paraná, onde estão presos chefes do tráfico de drogas da cidade.

No entanto, o Ministério da Justiça negou essa informação e disse em comunicado que "todo o aparato de segurança presente nas unidades não permitem comunicação com o ambiente exterior."

A recente onda de violência, a mais grave na cidade nos últimos meses, acontece apenas duas semanas após o Rio ter vencido Chicago, Tóquio e Madri na disputa pela sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmou que a segurança é o principal desafio da cidade nos preparativos para os Jogos e também para a Copa do Mundo de 2014, que terá no Rio sua principal cidade-sede.

"Nós nunca escondemos nossos problemas durante o processo de candidatura. Sempre dissemos às pessoas --e ainda enfrentamos problemas", disse Paes na Cúpula Global da Indústria Esportiva, em Londres.

"Ainda temos muito a fazer, temos um longo caminho pela frente, e o que aconteceu este fim de semana mostrou isso."

(Reportagem adicional de Stuart Grudgings no Rio, de Guillermo Parra-Bernal em São Paulo e de Andrew Warshaw em Londres)

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