BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula Silva prometeu nesta quarta-feira ajudar o seu homólogo salvadorenho, Mauricio Funes, a consolidar a democracia no país da América Central e voltou a repudiar o golpe de Estado em Honduras. Durante almoço com Funes, Lula ratificou que não reconhecerá as eleições conduzidas pelas forças do atraso e do autoritarismo em Honduras.

Em outro âmbito, Lula considerou "privilegiada" a posição da América Central como uma "ponte" entre continentes e destacou ter sido o primeiro presidente brasileiro a visitar El Salvador.

O presidente convidou El Salvador a participar da "energia do futuro", referindo-se aos biocombustíveis, nos quais o Brasil é pioneiro na fabricação e uso em automóveis e em outras utilidades.

"No âmbito de acordo Brasil-Estados Unidos sobre biocombustíveis, seu país tem todas as condições para tornar-se relevante fornecedor de etanol", afirmou Lula para se referir aos benefícios fiscais hondurenhos junto aos EUA.

O presidente salvadorenho visitará na quinta-feira a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), acompanhado de uma delegação empresarial, e Lula afirmou ver possibilidades de ampliar as exportações salvadorenhas para o Brasil.

A balança comercial entre Brasil e El Salvador ficou em apenas 252,8 milhões de dólares em 2008, com o volumoso montante de 249,3 milhões de dólares correspondentes às exportações brasileiras.

"Equilibrar nosso comércio requer um maior intercâmbio empresarial. Podemos, assim, explorar o potencial do mercado brasileiro para produtos salvadorenhos", disse Lula.

O presidente ressaltou a "obrigação política, ética e econômica de ser o exemplo da solidariedade na América do Sul e na América Latina" e ajudar os países menos desenvolvidos.

"Iremos fazer todo o esforço que estiver ao nosso alcance para ajudar que você e o seu governo possam consolidar definitivamente a democracia em El Salvador", assim como "atender parte daquilo que foi a aspiração dos milhões de salvadorenhos que votaram em você para presidente", afirmou.

Sobre Honduras, Lula insistiu na necessidade da restituição do presidente eleito democraticamente, Manuel Zelaya, deposto por militares em 28 de junho e exilado no exterior.

"Devemos repudiá-lo (o golpe de Estado) incondicionalmente e exigir o retorno do presidente Manuel Zelaya às funções constitucionais para as quais o povo hondurenho o elegeu", afirmou.

Desde então, esforços de países do continente e de organismos multilaterais para restituí-lo não tiveram resultados.

O Brasil retirou seu embaixador de Tegucigalpa, interrompeu seus projetos de cooperação e suspendeu o acordo de isenção de vistos com Honduras, lembrou Lula.

(Reportagem de Julio Villaverde)

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