Lula pede na ONU atuação de países em mercados e clima

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Em discurso de abertura na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que um ano após a crise financeira mundial os países ainda resistem em regular os mercados e se abrigam em medidas protecionistas. A maioria dos problemas de fundo não foi enfrentada. Há enormes resistências em adotar mecanismos efetivos de regulação dos mercados financeiros, afirmou Lula nesta quarta-feira.

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"Há sinais inquietantes de recaídas protecionistas", advertiu o presidente.

É tradição o presidente brasileiro abrir a Assembleia Geral, órgão deliberativo e de formulação de políticas da ONU. Esta é a 64a assemleia da instituição, que terá sessões até dezembro.

Ele advogou ainda, como em outras ocasiões, a reforma dos organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, medida para qual também apontou resistência por parte da comunidade internacional.

"Não é possível que, passados 65 anos, o mundo continue a ser regido pelas mesmas normas e valores dominantes quando da conferência de Bretton Woods (que estabeleceu regras financeiras e de comércio). Não é possível que as Nações Unidas, e seu Conselho de Segurança, sejam regidos pelos mesmos parâmetros que se seguiram à Segunda Guerra Mundial", afirmou.

Criticou a "paralisia" da Rodada de Doha, que prentende liberalizar o comércio internacional.

ESTADO E CLIMA

Quanto à saída do Brasil da crise, disse que o país não fez mágica e sim preservou o sistema financeiro da especulação e reduziu a vulnerabilidade externa, além de adotar medidas anticíclicas.

Lula voltou a defender a presença do Estado na economia, como atestou a crise dos mercados em que as nações tiveram que atuar fortemente para sanar as distorções. Também se posicionou a favor das políticas sociais e contra a privatização dos serviços públicos.

"(O que faliu) foi a doutrina absurda de que os mercados podiam auto-regular-se, dispensando qualquer intervenção do Estado, considerado por muitos um mero estorvo", disse.

O presidente brasileiro voltou a cobrar uma atuação maior dos países ricos no combate às mudanças climáticas.

"Todos os países devem empenhar-se em realizar ações para reverter o aquecimento global", afirmou, ao dizer que o Brasil está cumprindo sua parte ao aprovar um plano que prevê redução de 80 por cento no desmatamento da Amazônia até 2020, além de ter fixado regra para diminuição das emissões de carbono.

E prometeu que, mesmo com a descoberta do pré-sal, "o Brasil não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo".

No único momento em que arrancou aplausos da platéia formada por chefes de governo e de Estado, defendeu a volta ao poder do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, abrigado desde segunda-feira na embaixada do Brasil na capital hondurenha.

"A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país."

(Reportagem de Terry Wade)

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