Lula pede desculpas a Judiciário por declaração

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu discurso no evento Emprego e Qualificação Profissional, organizado pelas centrais sindicais na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, pedindo desculpas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao Poder Judiciário por ter feito, durante a semana, comentários que levaram à interpretação de que ele havia criticado o Poder Judiciário. Na noite da última quinta-feira, em encontro do PC do B, o presidente comentou sobre as multas aplicadas a ele pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), baseadas no entendimento dos ministros de que teria feito propaganda eleitoral para a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

Agência Estado |

No evento, o presidente disse que ninguém pode ficar esperando, a cada eleição, mudança na lei. "Não podemos ficar subordinados ao que um juiz diz que podemos ou não fazer", declarou o presidente naquela noite.

Hoje, em seu discurso, Lula disse que foi mal interpretado e que tentava dizer, na ocasião, que os juízes, às vezes, adotam algumas políticas equivocadas porque os partidos políticos se omitem na proposição de políticas para o País. Lula sugeriu ainda que parte da polêmica teria sido gerada porque a imprensa retirou declarações suas do contexto geral de seu discurso. "É como eu chegar aqui e dizer que encontrei um bandido que me falou que mataria o Marinho (Luis Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo) e a imprensa colocar, como se fosse da minha boca, só a parte que fala 'eu vou matar o Marinho'. Fora do contexto, eu sairia daqui preso", disse o presidente, insistindo que os partidos políticos precisam tomar coragem para fazer o que tem de ser feito.

O presidente Lula também insinuou que o fato de a organização do evento em São Bernardo ter programado o discurso da pré-candidata Dilma Rousseff para as 14 horas poderia ser um pretexto para que os jornais não deem a ela o mesmo espaço que deverá receber o ex-governador de São Paulo José Serra, cuja pré-candidatura à Presidência da República está sendo lançada hoje em Brasília. "Nós temos que aprender algumas coisas. Todo mundo sabe que, aos sábados, os jornais fecham às 11 horas e o nosso oponente começou a falar no evento dos tucanos às 11 horas. Se os jornais não deixarem espaço para a Dilma, depois não podemos reclamar, porque vamos perder a razão", afirmou Lula, acrescentado que "para falar bem (do governo) o espaço fecha sempre às 11 horas, mas se for para falar mal, espera-se até as 17 horas".

Sobre o encontro da oposição hoje em Brasília, Lula criticou a fala do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que, segundo afirmou à plateia em São Bernardo, teria dito que "é preciso reforçar o processo de privatização". "Esse foi o momento mais aplaudido da festa deles. Eu não quero esse aplauso", disse o presidente, arrancando risos e aplausos dos presentes. Lula reafirmou que foram instituições financeiras públicas, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, que impediram o País de sucumbir diante da crise.

Em Brasília, Aécio Neves reconheceu as privatizações feitas no passado pelo PSDB. "Privatizamos sim, mas setores que precisavam, como o de telefonia e a siderurgia. Eles (PT) negaram a eficiência", disse o ex-governador de Minas.

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