Lula oferece ajuda antidrogas a Morales

Por Raymond Colitt ARROYO CONCEPCIÓN, Bolívia (Reuters) - O Brasil anunciou na quinta-feira ajuda antidrogas à Bolívia e a legalização de imigrantes irregulares, numa manifestação de apoio ao presidente Evo Morales.

Reuters |

O Brasil quer recompensar a Bolívia por ter mantido o suprimento de gás natural para suas indústrias e também exibir a ajuda que pode prestar a seus vizinhos, num momento em que Equador e Paraguai cogitam suspender o pagamento de empréstimos brasileiros.

"Não teremos prosperidade duradoura se não houver prosperidade para todos os nossos irmãos sul-americanos", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante inauguração de uma rodovia que, quando tiver seu último trecho concluído, ainda neste ano, ligará o Atlântico ao Pacífico.

Numa cerimônia na fronteira entre os dois países, sob um forte calor pantaneiro que fez ao menos duas pessoas da plateia desmaiarem, Lula anunciou que acataria o pedido de Morales para fornecer helicópteros e outras formas de apoio logístico para patrulhar a porosa fronteira, por onde milhares de pequenos traficantes levam a pasta-base da cocaína dos Andes até cidades como o Rio e São Paulo.

Depois de expulsar em 2008 os agentes da DEA (agência antidrogas dos EUA) por supostamente apoiarem líderes oposicionistas, Morales buscou ajuda do Brasil, preocupado com um aumento no envio de cocaína.

"Quero que combatamos as drogas juntos", disse Morales, que já esteve mais ligado ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas que no ano passado estreitou seus laços com Lula.

Autoridades brasileiras dizem que a falta das informações da DEA na Bolívia prejudicará o combate às drogas. "A saída deles não é boa. A Bolívia será a nossa grande preocupação em 2009", disse o delegado da Polícia Federal Mauro Sposito, responsável pela unidade de patrulhamento da fronteira.

RODOVIA TRANSOCEÂNICA

Os dois presidentes inauguraram cerca de 240 quilômetros de rodovia pavimentada entre a localidade boliviana de Arroyo Concepción, na fronteira com Corumbá (MS), e Roboré, no Departamento de Santa Cruz. A obra de 170 milhões de dólares foi financiada pela Corporação Andina de Fomento. Quando os últimos 80 quilômetros estiverem concluídos, será uma ligação entre os portos de Santos e Arequipa (Peru) e Iquique (Chile).

Centenas de seguidores de Morales aplaudiram e agitaram bandeiras durante a cerimônia de quinta-feira, num momento em que o presidente busca popularidade para o referendo do dia 25 acerca da nova Constituição socialista do país, defendida por ele.

O abraço de Lula é um estímulo particularmente bem-vindo para Morales por se tratar de uma cerimônia em Santa Cruz, principal reduto da oposição que pleiteia mais autonomia e se opõe às políticas esquerdistas do presidente.

"Evo está dando um exemplo de democracia que muitos dos seus antecessores não deram", disse Lula, comparando-o ao sul-africano Nelson Mandela por ambos levarem uma maioria oprimida - Morales é indígena - ao poder pela primeira vez.

Funcionários do governo distribuíram exemplares da nova Constituição do país. Lendo um cartaz da plateia pedindo água potável, Morales perguntou quanto custaria o projeto. "São 200 mil dólares? Está bem, podemos fazer", disse ele, provocando um sorriso em Lula e na sua grande delegação.

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