Lula nega incômodo com ditadores na África

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai celebrar hoje, na abertura da Cúpula da União Africana, em Sirte, na Líbia, os avanços nas trocas comerciais entre o Brasil e os países árabes e africanos alcançados nos últimos seis anos. Cercado de ditadores, como o presidente da Líbia, Muammar Kadafi, e de líderes políticos cuja legitimidade foi posta sob suspeita pela comunidade internacional, como o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente brasileiro será o convidado de honra de um evento polêmico.

Agência Estado |

Delegações africanas já reunidas em Sirte demonstraram descontentamento com a presença do iraniano, alvo de reprovações da União Europeia - principal parceiro econômico e político da União Africana - desde as suspeitas de fraude na última eleição presidencial. Lula, contudo, não se mostrou preocupado com as críticas. “Quando você é convidado, não pergunta quem são os outros convidados. Você vai”, justificou. “Aceitei sem perguntar quem vinha.” Lula disse ainda não se importar com a presença de líderes políticos controversos ao seu lado.

Confrontado com a questão, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também não viu contradições entre a presença do presidente brasileiro e de líderes africanos polêmicos. “O anfitrião tem o direito de convidar quem desejar”, disse, referindo-se a Kadafi. “O presidente Lula foi chamado há muito tempo para ser o convidado especial da União Africana para a reunião de cúpula.”

O encontro de Sirte já era marcado pela profusão de ditadores entre os 53 chefes de Estado e de governo do continente, incluindo o presidente do Sudão, Omar Al-Bachir, desde março alvo de um mandado de prisão internacional do Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. Em abril, Lula abandonou um almoço da reunião de cúpula dos países árabes e sul-americanos para não ter de se sentar ao lado do presidente do Sudão.

EUA

Questionado se o governo brasileiro não via no convite a Lula uma tentativa de capitalizar com a presença de um governante popular, Amorim ironizou: “A presença do presidente Lula sempre capitaliza para todo mundo. Os líderes dos países mais ricos querem aparecer na foto com o presidente Lula. É um presidente popular. He’s the guy”. A expressão em inglês alude à afirmação de que Lula é “o cara”, feita em abril pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG