Lula lança Plano Nacional de Combate ao Crack

Decreto prevê capacitação de lideranças locais, como igrejas, escolas e sindicatos, para a conscientização sobre o uso do crack

iG São Paulo |

Combate, prevenção e tratamento são as três palavras chaves do decreto que institui o Plano Nacional de Combate ao Crack, assinado no início da tarde pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de encerramento da 13ª Marcha dos Prefeitos, em Brasília.

O decreto, segundo explicação do presidente, prevê capacitação de lideranças locais, como igrejas, escolas e sindicatos, para o trabalho de conscientização sobre o uso do crack e seus efeitos.

"O crack ainda é uma coisa nebulosa. Nós já sabemos os efeitos que ele causa, já sabemos a dureza para quem utiliza o crack. Mas cientificamente tem poucos estudos sobre a questão do crack", disse o presidente."Não vamos deixar uma geração de jovens brasileiros perder um futuro cada vez mais promissor".

No decreto também estão previstos centros de atendimento financiados pelo Ministério da Saúde que funcionariam 24 horas para atender dependentes que procuram a reabilitação.

No combate ao tráfico, o presidente Lula ressaltou que é preciso mapear as rotas da comercialização ilegal, principalmente nas fronteiras, para reprimi-la. "O plano de enfrentamento do uso do crack prevê coordenação de ações entre saúde, educação, assistência social e segurança pública", disse Lula.

Lula aproveitou o evento com prefeitos para ressaltar a importância do engajamento dos gestores municipais no enfrentamento da droga. Segundo o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a apreensão da pasta base de cocaína – usada para produzir as pedras de crack - cresceu de 500 quilos, em 2008, para 4,5 mil quilos em 2009. Proporcionalmente, a apreensão de crack foi maior do que outros tipos de droga, como a maconha e a própria cocaína. 

No plano de ação de combate ao crack, o governo federal também deve trabalhar para obter dados mais precisos sobre o consumo da droga nas cidades brasileiras, fato que foi criticado pelo representante do Escritório das Nações Unidas (ONU) sobre Drogas e Crime , Bo Mathiasen.

Diferente de tudo

"Os profissionais da área de saúde e os funcionários de clínicas estão atônitos. O crack é diferentes de todas as outras drogas que conhecemos ”. A frase é do do coordenador do Instituto Minas pela Paz e coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa em segurança pública da PUC Minas, Dr. Flávio Sapori.

Flávio Sapori foi um dos palestrantes do “1º Simpósio Sulamericano de política sobre Drogas: crack e cenários urbanos”, que aconteceu em Belo Horizonte neste mês e discutiu os problemas do impacto do consumo de crack na segurança e na saúde pública, a descriminalização de drogas, e as experiências sobre o assunto na América do Sul.

*com informações da Agência Estado

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