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Lula joga a bóia e salva Sarney, por enquanto

BRASÍLIA (Reuters) - Fundo de poço tem mola, diz o dito proferido por políticos experimentados. O presidente do Senado, José Sarney, personifica o provérbio. Com o apoio do governo, decidiu colocar na gaveta a hipótese da renúncia, por ora.

Reuters |

Sarney (PMDB-AP) esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira. Disse a ele que não abre mão do controle da instituição e que deseja liderar o processo de reestruturação do Senado. Para isso, exigiu o apoio da base aliada.

Nas palavras de dois dos seus assessores, ele saiu do encontro "satisfeito". Apesar de dizer que não deixa o cargo, não suspendeu a ameaça --golpe forte à governabilidade e, por essa razão, seu trunfo.

Tudo depende agora dos desdobramentos da crise e da fidelidade de aliados.

"Se tiver que sair, ele sai. Não está apegado (ao cargo), mas não acho que isso vai acontecer", disse à Reuters a filha e governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), antes mesmo do encontro do pai com o presidente da República.

O PT transformou-se em bóia para José Sarney, jogada a pedido de Lula para salvar o aliado. Foi por intervenção do presidente que seu partido não abandonou o barco nos últimos dois dias.

"Sem o PT, não dá", afirma um auxiliar do peemedebista.

Num jantar com os senadores do PT, na noite passada, Lula foi contrário à proposta de licença temporária feita informalmente pelo líder do partido, Aloizio Mercadante (SP). Foi marcada uma reunião da bancada para terça-feira que vem para avaliar a crise e o posicionamento da bancada.

Juntos, PT e PMDB somam 31 dos 81 senadores. Os tradicionais oposicionistas PSDB e DEM, 27. Há defecções tanto num grupo quanto no outro.

Desde fevereiro, quando assumiu o comando da Casa, José Sarney esteve a maior parte do tempo mergulhado na gestão de escândalos que envolvem práticas de abusos de poder, contratação de parentes e apadrinhamento de servidores. Algumas das denúncias foram feitas diretamente contra o peemedebista.

INTERESSE DE DILMA

Enquanto Sarney e Lula conversavam sobre a crise, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fazia um desagravo ao aliado e atacava o Democratas por meio da imprensa. Mais do que ninguém, ela quer o apoio do PMDB à sua candidatura em 2010.

Com a ajuda da ministra, Lula teve de enquadrar seu partido, interessado em seguir o exemplo da oposição e defender formalmente a tese da licença temporária.

"Não concordo em demonizar o presidente Sarney e responsabilizá-lo por toda a crise", verbalizou Dilma, em sintonia com o discurso do PMDB.

Com frases contundentes, apontou o dedo para DEM, aliado de Sarney na eleição de fevereiro e há anos no comando da primeira secretaria do Senado, espécie de prefeitura da Casa. Todos os contratos e ações administrativas passam por lá.

"Lula jogou a bóia para Sarney... E Dilma também faz parte da equipe de salvamento", pontuou David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).

Para não perder o PT, Sarney decidiu ir para o tudo ou nada na última quarta-feira. Sem rodeios, disse a Mercadante e outros petistas: "Renúncia sim; licença, não". Com isso, jogou para o próprio governo a tarefa de trabalhar pela governabilidade, da qual é importante alicerce.

"Sem o PMDB, Lula não governa. Sem o PMDB, Dilma não tem muita chance (de vencer as eleições presidenciais)", anotou Fleischer.

No início da noite, o presidente da República reuniu-se com o senador Gim Argello (PTB-DF), escudeiro de Renan Calheiros (PMDB-AL) e aliado de Sarney. Ao deixar a reunião, disse que Lula está "seguríssimo" sobre a permanência de Sarney no cargo.

(Edição Carmen Munari)

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