O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nas últimas viagens tem sistematicamente atacado os seus opositores e antecessores, adotou ontem o tom conciliador. E destacou, em discurso, a necessidade de se separar a disputa política, que deve se restringir ao período eleitoral, do interesse geral, deixando de lado a pequenez política.

As declarações, embaladas por metáforas futebolísticas, foram feitas na cerimônia de inauguração da estação do metrô da Ceilândia, cidade-satélite do Distrito Federal, ao lado do único governador do oposicionista DEM, José Roberto Arruda.

Lula disse estar iniciando "um outro jeito" de fazer política. "Eu acho que durante décadas e décadas a politicalha, os interesses menores e os interesses pessoais de determinados políticos fizeram com que o povo padecesse", acrescentou.

Acentuou, ainda, que se dá bem com os governadores do PMDB, do PT, do PSB e do DEM. Para ele, "governador não tem partido, tem compromisso de governar". O presidente passou, então, a recorrer à tradicional metáfora futebolística para defender o entendimento entre os governantes, para beneficiar "o povo deste país, tão sofrido e tão desesperado".

"As nossas disputas políticas se darão durante o processo eleitoral. Imaginem se jogador de futebol... Botafogo e Fluminense vão decidir o título no domingo. Imaginem se eles levassem na vida cotidiana a guerra que eles fazem dentro do campo: um dá canelada no outro, outro empurra o outro, outro chuta a cara do outro. Terminou o jogo, terminou. Eles são seres humanos, civilizados e vão conviver juntos", declarou. "A política precisa aprender isso, tem a hora da disputa, mas tem a hora de governar. Arruda foi eleito, eu fui eleito e o nosso compromisso é governar."

Cerca de 3 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar do Distrito Federal, assistiram à cerimônia. No local, foram distribuídas cerca de mil camisetas com os dizeres "eu vou de metrô".

Gastos

Dos R$ 85 milhões gastos nas quatro estações de metrô inauguradas, R$ 30 milhões são da União. No discurso, Lula prometeu estar presente, em 2010, na inauguração de outras extensões, totalizando 28 estações, ampliando a meta de transportar 100 mil passageiros diários para 300 mil.

Os investimentos federais no sistema de transporte ferroviário urbano passam por uma fase de retomada do ritmo de execução alcançado em 2001, depois de três anos de semi-paralisia em decorrência dos cortes orçamentários promovidos no início do governo Lula.

Entre 2001 e 2003, por exemplo, os gastos federais com metrô caíram de R$ 804 milhões (em valores atualizados) para R$ 409 milhões. Em 2008, pela primeira vez nos últimos seis anos, os investimentos poderão ultrapassar o patamar de 2001, com os R$ 843 milhões reservados no orçamento.

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