O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemora, nesta segunda-feira, o Dia do Índio festejando a demarcação em área contínua da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. A decisão foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) há um ano.

Convocados e organizados pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), um grupo de índios vai receber Lula em Maturuca e cantar o Hino Nacional em dialeto macuxi. Outro grupo fará um protesto fechando uma estrada. A comemoração deve reunir cerca de 18 mil pessoas.  

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Índios ensaiam apresentação que irão mostrar ao presidente Lula

Lula irá ainda se reunir com lideranças da região, que deverão pedir recursos para a implantação de projetos de agricultura e pecuária que garantam a sustentabilidade dos índios que moram na reserva, além de mais investimentos em saúde e educação nas aldeias.

Estão previstos atos simbólicos, como o plantio de um árvore e o lançamento de uma flecha. As comunidades preparam apresentações típicas das tribos.

O governador tucano de Roraima, José Anchieta Júnior, apesar de convidado pelo Planalto, até a noite de domingo não havia confirmado presença na solenidade. De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa do governo, ele não havia confirmado presença "devido a compromissos no interior do Estado".

Impasse com arrozeiros

Os fazendeiros da região, que foram retirados da reserva por ordem do STF, consideram a agenda de Lula "uma afronta" e se dizem "revoltados". Mas acrescentam que, em vez de protestar, preferem "ignorar" a presença do presidente no Estado. "Não temos ânimo para protestar. Preferimos ignorar a vinda do presidente da República aqui e a festa, até porque ele nem vem à capital", disse o presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, Nelson Massani.

Reserva

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Nascer do Sol nesta segunda-feira na Raposa Serra do Sol


Localizada no noroeste de Roraima, na fronteira com a Guiana e a Venezuela, a reserva indígena da Raposa Serra do Sol tem uma área de 1,67 milhão de hectares onde vivem cerca de 19 mil índios de cinco etnias: macuxi, wapichana, ingarikó, taurepangue e patamona.

Demarcada em 1998 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e homologada em 2005 por Lula, a reserva foi alvo de uma briga judicial com o governo de Roraima, que questionou no STF a demarcação em área contínua. Os opositores  defendiam a demarcação em ilhas, para que seis grandes produtores de arroz e outros produtores rurais não índios pudessem permanecer na área. 

A desocupação ainda é palco de polêmica porque parte dos próprios índios defendem a permanência dos produtores de arroz e pecuaristas da região, alegando que vivem perfeitamente entrosados com eles.

*Com informações das agências Estado e Brasil

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